Interesse noticioso diminui em Portugal segundo o OberCom
O interesse geral por notícias caiu cerca de 18 pontos percentuais desde o ano passado, revela o estudo do OberCom. No entanto, o nível de confiança dos portugueses nas notícias continua elevado. Portugal ocupa a segunda posição no grupo de 46 países estudados, sendo apenas ultrapassado pela Finlândia. O relatório destaca que no nosso país, entre 2017 e 2022, a proporção de inquiridos a afirmar que confia nas notícias não variou mais de 5,6 pontos percentuais.
Entre os anos de 2021 e 2022, 51,1% dos inquiridos dizem ter interesse em conteúdos noticiosos em geral face a 68,6%.
Em 2021, a proporção de inquiridos a declararem “não ter interesse em notícias” mais do que duplicou, aumentando em 5,5 pontos percentuais face ao ano anterior. Segundo o relatório, a quebra geral no interesse por notícias poderá estar relacionada com a excessiva dupla-tematização da agenda noticiosa em torno dos temas pandemia e eleições legislativas 2022.
Entre os portugueses que utilizam a Internet, “observa-se que o interesse por notícias em geral aumenta com a idade, rendimento do agregado familiar e escolaridade dos inquiridos e que as quebras no interesse por conteúdos noticiosos são transversais a toda a sociedade portuguesa, em todas as demografias, registando-se, no entanto, quebras mais acentuadas entre os portugueses com menores rendimentos e escolaridade mais baixa”.
Os utilizadores da Internet quando questionados sobre as principais motivações para o acompanhamento da agenda noticiosa, “tendem relacionar o seu interesse com aspectos relacionados com a importância e utilidade da informação”.
Na faixa etária acima dos 35 anos, entre os inquiridos mais velhos “há uma identificação mais clara com a importância / utilidade pessoal e o dever cívico de estar informado”. Cerca de seis em cada 10 indivíduos nessa categoria identifica esses dois factores como os principais motivos para estar a par do que se passa, em termos informativos.
Como razões apresentadas para a recusa voluntária de notícias o relatório identifica; “o excesso de notícias sobre a Covid-19 (36,1%), o cansaço com o excesso de notícias em geral (25,8%), e o facto de as notícias afectarem negativamente o humor (20,2%)”.
No que respeita à confiança nos órgãos de informação, o relatório considera o panorama positivo. “Num total de 15 marcas, existem em Portugal nove nas quais mais de 70% da amostra diz confiar”; RTP, SIC, Jornal de Notícias, RFM, Rádio Comercial, Expresso, Público, TSF e RDP Antena 1.
A RTP, SIC e Jornal de Notícias destacam-se, particularmente, com mais de três quartos dos portugueses que utilizam a Internet a afirmar que confiam nestas marcas (77,8%, 77,6% e 76,0%, respectivamente).
Outubro 22
No respeitante ao uso da Internet, 36,2% dos utilizadores dizem concordar com a afirmação dos websites noticiosos usarem os seus dados pessoais de forma responsável.
No entanto, no caso das redes sociais, há menos portugueses a concordar que as plataformas usam os dados dos utilizadores de forma responsável (32,4%, sendo que 34,2% dos inquiridos dizem efectivamente discordar).
O smartphone continua o equipamento mais utilizado para aceder às notícias, atingindo 85,1%, assegurando o consumo de notícias para 74,8% dos portugueses utilizadores de Internet.
O computador, portátil ou de secretária para acesso a notícias é, actualmente, usado por cerca de menos de metade dos inquiridos, enquanto o tablet continua a apresentar percentagens de utilização menores quando comparado com os outros aparelhos.
Pagar pelas notícias continua a não ter, em Portugal, uma dimensão expressiva. Em 2022, o Reuters DNR revelou que “apenas 12% dos portugueses afirmam ter pago por notícias em formato digital no ano anterior o que representa menos 5 pontos percentuais face à média global de 17%”.
Os conteúdos pelos quais os portugueses mais pagam são o streaming de filmes / séries, com 21,5% dos utilizadores da Internet a subscrever pelo menos uma destas ofertas e 9,5% a subscrever duas.
Para consultar o relatório completo vá a: https://obercom.pt/wp-content/uploads/2022/06/DNRPT_2022_FINAL_14Jun.pdf
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