Jornalistas haitianos enfrentam perseguições e ameaças
O jornalismo no Haiti está a ser condicionado por uma complexa rede de poder, caracterizada por ligações entre figuras políticas e gangues criminosos, que tentam silenciar reportagens críticas, considerou Feven Merid num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”.
De acordo com Merid, a maioria dos “media” haitianos são controlados por iniciativas privadas, com ligações a membros do governo, que ditam as linhas editoriais, e proíbem qualquer reportagem contrária à sua narrativa.
Assim, considerou a autora, os jornalistas independentes enfrentam perigos a partir do momento em que começam os seus trabalhos de investigação. Além disso, existem muito poucas associações de defesa da imprensa, pelo que os colaboradores dos “media” não têm acesso a recursos legais.
Mesmo os repórteres que trabalham com publicações internacionais enfrentam grandes restrições ao seu trabalho, uma vez que o governo financia os “media” que partilharem mensagens positivas sobre o Haiti.
“Querem que fotografemos sítios agradáveis, como praias, mas esse não é o nosso objectivo”, explicou uma jornalista.
Da mesma forma, os líderes de gangues permitem o acesso dos jornalistas a determinadas zonas da capital, Port au Prince, em troca de narrativas controladas, que lhes sejam favoráveis.
Maio 22
As redes sociais vieram, entretanto, acentuar os problemas do contexto mediático haitiano, uma vez que as figuras políticas e líderes criminosos utilizam estas plataformas para disseminar desinformação, e descredibilizar o trabalho fidedigno dos jornalistas.
Além disso, concluiu Merid, ninguém parece interessado em tomar qualquer tipo de acção legal em defesa dos jornalistas, que são alvo de ataques físicos e verbais.
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