As Nações Unidas promoveram a criação de uma nova empresa mediática na Somália, que empregará, apenas, mulheres. Chama-se “Bilan” e quer ajudar as jornalistas a ocuparem um lugar de destaque no panorama noticioso nacional.
Conforme apontou o "Guardian", esta equipa é liderada por uma das únicas produtoras de notícias do país, composta por seis profissionais, e produz conteúdos para a televisão, rádio e plataformas digitais.
“Queremos combater a crença social de que a mulher deve ficar em casa”, disse a editora-executiva, Nasrin Mohamed Ibrahim, que trabalha como jornalista há 12 anos, e ajudou a fundar a Somali Women Journalist Organisation.
Na Somália, as mulheres que integram o mercado de trabalho enfrentam diversos desafios, sendo privadas de ocupar cargos de chefia. Além disso, muitas profissionais são alvo de ameaças e assédio.
“O maior problema que as mulheres jornalistas enfrentam na Somália é o abuso sexual”, afirmou Fathi Mohamed Ahmed, editora adjunta do “Bilan”. “Os nossos colegas oferecem-se para nos ajudar, mas acabam por pedir algo em troca”.
O “Bilan” – que significa “brilhante” e “claro” em somali – tem sede na capital da Somália, Mogadíscio, e integra o Dalsan Group, uma das maiores empresas de “media” nacionais.
Assim, além de oferecer conteúdos noticiosos, o “Bilan” quer, ainda, apostar na formação para jornalistas somalis e para correspondentes internacionais radicadas no país.
Abril 22
Criado com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), este projecto-piloto tem a duração prevista de um ano. Contudo, Jocelyn Mason, representante da ONU, está confiante de que a iniciativa poderá tornar-se permanente.
“Esperamos que esta iniciativa ajude a alterar o panorama mediático da Somália, abrindo novas oportunidades para mulheres jornalistas, e contando histórias que, até agora, têm sido ignoradas”, disse Mason.
A Somália encontra-se em 161º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.
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