Jornalistas da Papua Nova Guiné inconformados com suspensão
Dezanove jornalistas foram afastados, temporariamente, da principal emissora noticiosa da Papua Nova Guiné, depois de se manifestarem contra a suspensão da sua editora-executiva, Sincha Dimara.
A instabilidade na redacção da EMTV terá sido motivada pela cobertura noticiosa da detenção de Jamie Pang, um empresário australiano, preso, em 2021, por posse ilegal de armas e por, alegadamente, controlar um laboratório de metanfetaminas.
Pang assumiu-se culpado pela posse de armas. Contudo, o empresário foi ilibado das acusações relacionadas com as metanfetaminas, uma vez que a Papua Nova Guiné não tem quaisquer leis sobre a posse, produção e consumo destas drogas.
Desde então, os jornalistas da EMTV foram aconselhados a cessar a cobertura noticiosa sobre o tema, bem como a eliminar quaisquer artigos relacionados com o assunto.
Contudo, a editora-executiva recusou-se a fazê-lo, por considerar que o tema era de interesse público, uma vez que o governo nacional começou a debater uma possível regulamentação sobre metanfetaminas.
Assim, Dimara foi suspensa por “insubordinação”, o que motivou a manifestação dos seus colegas.
A administração da EMTV afirmou, entretanto, que as recomendações foram “tiradas do contexto”, já que os “jornalistas nunca foram proibidos de realizarem as suas funções”.
Fevereiro 22
De acordo com relatórios da Freedom House, a Papua Nova Guiné é um país parcialmente livre, onde, apesar de haver alguma pluralidade mediática, o governo continua a assediar e a criticar jornalistas.
Além disso, nos últimos anos, registaram-se alguns casos de censura na imprensa independente.
A Papua Nova Guiné encontra-se em 47º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.
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