Jornais da diáspora com acesso à publicidade institucional
O governo aprovou um projecto de lei que assegura o acesso dos “media” dedicados às comunidades portuguesas a campanhas de publicidade institucional.
A medida foi, entretanto, saudada por diversos editores de jornais em língua portuguesa, que consideram este tipo de apoio essencial para a sustentabilidade financeira das publicações.
Foi esse o caso de Raúl Reis, director do “Bom Dia” -- o mais antigo jornal digital dedicado às comunidades portuguesas no estrangeiro -- que acredita que este mecanismo poderá ser essencial para o futuro de publicações semelhantes.
“Essa legislação (anterior) não previa de forma nenhuma, publicidade institucional em órgãos (de comunicação social) da diáspora. Isso foi alterado, recentemente, graças a pressões dos deputados da emigração e da própria secretária de Estado das Comunidades, e vai permitir, por exemplo, ao ‘Bom Dia’ ou a outros jornais, uma publicidade ao Turismo de Portugal ou anunciar as inscrições para os emigrantes nas universidades portuguesas”, disse Raúl Reis numa entrevista à Lusa, citada pelo “Observador”.
Ainda assim, Raúl Reis acredita que o governo pode fazer mais por estas publicações, e que as autoridades portuguesas não têm total consciência sobre o alcance e importância das publicações da diáspora.
Junho 21
“Eu diria que a grande dificuldade é chegar ao mercado português e também uma percepção por parte das autoridades portuguesas — do Governo, das instituições, autarquias — que não têm consciência de que os meios de comunicação das comunidades são, se calhar, o primeiro meio para chegar a consumidores ou turistas”, disse, acrescentando que “é importante que se perceba, em Portugal, que a emigração é uma grande clientela”.
O responsável assinalou, neste sentido, que o “Bom Dia” tem vindo a enfrentar algumas dificuldades financeiras, devido à diminuição das receitas publicitárias.
Por outro lado, o director da publicação saudou a “sorte de ter um pequeno apoio da secretaria das Comunidades, que apoiou os órgãos de comunicação social da diáspora, tal como o Governo apoiou a imprensa em Portugal”.
“Neste momento, a situação está estabilizada, mas ainda não voltámos ao nível de publicidade que tínhamos há dois, três anos”, concluiu.
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