Suspeitos de homicídio de jornalista em Malta reclamam imunidade
Dois irmãos acusados de participarem, directamente, no homicídio da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia pediram perdão presidencial, em troca de informações sobre os restantes envolvidos.
George e Alfred Degiorgio, ambos acusados de terem colocado uma bomba no carro da jornalista em 2017, enviaram cartas separadas, com pedidos formais, ao presidente maltês, George Vella.
Alfred Degiorgio afirmou que, em troca de perdão e imunidade, revelaria a identidade de um ministro envolvido no caso. Por sua vez, George Degiorgio dispôs-se a revelar informações sobre outros dois ataques bombistas, que ainda estão por resolver.
A informação, revelada, em primeira mão, pelo jornalista Stephen Grey, da agência Reuters, foi, entretanto, confirmada pelo advogado dos irmãos, William Cuschieri.
“Este caso deve ser tratado como qualquer outro”, disse o advogado ao “Malta Today”. “Não deve ser ignorado por fazer referência a indivíduos em posições de poder”.
No início de Março, Vincent Muscat, outro dos responsáveis pela morte da jornalista, pormenorizou o plano por detrás do assassinato.
No total, sete homens foram acusados de envolvimento no homicídio.
Março 21
Caruana Galizia, assassinada aos 53 anos, foi jornalista durante três décadas, dedicando-se a investigar casos de corrupção e criticando, publicamente, o governo maltês.
As suas reportagens resultaram, em 2017, na realização de eleições antecipadas, já que alegavam a ligação do então primeiro-ministro, Joseph Muscat, ao escândalo dos Panama Papers.
Malta tem vindo a cair no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, encontrando-se, de momento, em 81º lugar, entre 180 países.
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