Sociedade de leitores quer modelo participativo no jornal “Le Monde”
Nos últimos anos, a falta de transparência do modelo de negócio dos “media” tem diminuído a confiança dos cidadãos no trabalho realizado pelos jornalistas.
Para solucionar esta questão, a presidente da Sociedade de Leitores do jornal “Monde”, Julia Cagé, sugeriu a criação de um fundo participativo, para promover a “reconquista democrática dos meios de comunicação social" .
Ou seja, Cagé defende que os jornalistas e os leitores devem participar no capital e na administração das empresas jornalísticas.
Com esta ideia em mente, aquela responsável criou uma nova associação, a Un Bout du Monde, que está, de momento, a angariar fundos, de forma a "contribuir para a defesa da independência do Grupo Le Monde".
A associação tem, assim, dois principais objectivos: desempenhar um papel na futura governação do Grupo; e apoiar jornalistas e outros colaboradores que gostariam de participar no capital dos seus meios de comunicação social. Além disso, a Un Bout du Monde quer conquistar um público mais jovem.
A associação Un Bout du Monde é integrada pela a Sociedade de Leitores e pelo Centro de Independência, que detém 25% do capital da empresa.
Novembro 20
Apesar de não ter recebido garantias dos accionistas maioritários do Grupo Le Monde, Julia Cagé está convencida de que pode demovê-los.
“Os nossos recursos nunca estarão ao nível dos dos grandes accionistas do panorama mediático francês", admitiu, “mas os empresários estão conscientes do contexto de desconfiança em relação aos meios de comunicação social em França. Se lhes for proposto um modelo mais democrático, irão interessar-se”.
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