Como é habitual em Agosto, este site do Clube Português de Imprensa interrompe a actualização regular, e acompanha o período de férias mais intenso dos portugueses e dos seus associados em particular.

Esta pausa é já uma tradição no Clube, aproveitada também para um balanço de actividade, num espaço onde se procura promover e cultivar a melhor reflexão sobre os media, jornalismo e jornalistas, afinal, a nossa razão de ser.

Estamos em vésperas de grandes transformações no modo de exercer o jornalismo e no funcionamento dos media, quer por força da concorrência das grandes plataformas digitais no acesso à Informação, quer ainda pelo advento da Inteligência Artificial, cada vez menos sorrateira na sua presença nas redacções.

Isso implicará um esforço de adaptação dos empresários e profissionais do sector, comparável, talvez, às mudanças profundas ditadas na década de 80 pela informatização editorial, que deixou e sacrificou muitos pelo caminho, que não souberam ou não puderam integrar-se na nova realidade.

Temos procurado, por isso, partilhar neste site os ecos de um desafio inédito e complexo, tantas são as incógnitas que se projectam no horizonte próximo. A Imprensa em papel sobreviverá e em que moldes? Mais especializada ou de proximidade?

E a televisão hertziana continuará ou será definitivamente ultrapassada pela difusão digital? E os seus canais, generalistas ou de Informação - que hoje se imitam nas tendências ou se copiam nos alinhamentos -, vão manter o mesmo esquema pouco amigo da criatividade?

E a rádio, que se ouve quase exclusivamente no automóvel nas “horas de ponta”, resistirá sem grandes alterações programáticas, à excepção dos “podcasts”, de natureza já epidémica?

São muitas as dúvidas que se perfilam, sem haver respostas conclusivas.

É neste contexto que o site do CPI tem procurado analisar e trazer à superfície o que se nos afigura de maior relevância para o futuro dos jornalistas e dos media onde colaboram.

Sem falsa modéstia, fazemo-lo com um sentimento quase de serviço público, o que não é coisa pouca, quando o associativismo no sector está em crise, e a juventude das redacções não ajuda, por falta de memória do ocorrido em mudanças estruturais passadas.

Mas, por agora, vamos de férias e cá estaremos na chamada “rentrée”, para intervir e animar um debate que está apenas no começo.

Boas férias!

A Direcção