Acompanhar a evolução da paisagem da comunicação, a alteração dos hábitos e comportamentos das pessoas, é sentir o pulso às mudanças acontecidas na sociedade e que moldarão mais à frente a forma como vivemos e interagimos.

Peguemos na televisão: hoje em dia 60% dos espectadores seguem os seus gostos pessoais na escolha do que vêem e não aquilo que os directores dos canais generalistas (RTP1 e 2, SIC e TVI) lhes querem impôr.

Em números redondos, destes 60%, 40% destes espectadores estão nos canais de cabo e 20% nas plataformas de streaming.

Nos canais de cabo os líderes têm sido este ano o Correio da Manhã TV com 6,2% de share de audiência, a CNN com 2,5%, a SIC Notícias com 2,1%, o Star Channel com 1,8%, a Globo com 1,7% e o NOW, que em escasso ano e meio já alcançou 1,6%, bem à frente da RTP Informação que transmite em TDT e cabo e regista 1,1%. Já agora, fiquem a saber que o share médio deste ano da TVI é 14,4%, da SIC é 14.1%, da RTP1 é 10,7% e da RTP2 é 0,7%.

E nas plataformas de streaming a preferida é a Netflix, seguida da Disney+ e da HBO Max.

Deixemos agora a televisão e passemos ao mundo digital. O que está em alta este ano são os podcasts - segundo a Marktest só no mês de Outubro foram feitos 16,5 milhões de downloads de podcasts. Ainda segundo a Marktest três em cada quatro portugueses vêem videos online, o que representa um crescimento assinalável em relação ao ano passado.

Os hábitos digitais estão estabelecidos: 86,1% das pessoas que vivem em Portugal utilizam internet e o telemóvel é o meio mais usado para aceder.

O maior crescimento da Internet este ano verifica-se no grupo etário 55-64 anos.

Para se manterem informados 6,7 milhões de pessoas lêem regularmente notícias online, hábito que é seguido por 97% das pessoas entre os 35 e 44 anos.

Em contrapartida as tiragens dos jornais estão, na maior parte dos casos, em queda contínua e os jornais regionais estão em processo de extinção, o que significa menos informação disponível sobre o que se passa em muitas regiões do país. 

(Publicado originalmente no Jornal de Negócios)