A Imprensa encolhida
A propósito do Dia Mundial da Imprensa, que se assinalou a 3 de Maio, foi divulgado que Portugal ocupa agora a 10ª posição no índice da liberdade de imprensa, quando no ano passado ocupava
o 8º lugar, um mau sinal para o país. Mas há outros sinais preocupantes.
Segundo o INE e a Marktest em 2024 existiam em Portugal 860 publicações periódicas. Verifica-se assim que o número de publicações tem vindo a diminuir, sendo hoje menos de metade do registado em 2004, quando se contabilizavam 2064 publicações.
Isto significa que, em 20 anos, o país perdeu 1204 títulos. Em 183 dos 308 concelhos do país é editada pelo menos uma publicação periódica e em 62 destes existem 3 ou mais. Nos restantes 125 concelhos não existe nenhuma.
O mesmo estudo indica que Lisboa é o concelho onde é editado o maior número de publicações (228), representando 26.5% do total do país. Porto, Oeiras, Coimbra e Sintra completam a lista dos cinco concelhos com maior número de publicações periódicas em 2024, com um total de 379 títulos, 44% do total.
Outro sinal preocupante: face ao observado há 20 anos, em 68 concelhos passou a não existir nenhuma publicação e em Amadora, Funchal, Chaves, Gondomar, Almada, Seia, Faro, Arcos de Valdevez, Olhão, Pombal e Vila Nova de Cerveira esse número baixou mais de 80%.
Em termos absolutos, foi em Lisboa que mais diminuiu o número de publicações (menos 459), a que se seguiram os concelhos de Oeiras e Porto (ambos com menos 58 publicações), Funchal (menos 36) e Amadora (menos 29).
Olhemos agora ainda mais para trás: é muito interessante comparar o que era o universo mediático português em 1974 e o que se passa hoje em dia.
Em 1974 existiam, só em Lisboa e no Porto, mais de uma dezena de jornais diários generalistas, hoje existem apenas quatro, um deles exclusivamente online. Os números são duros.
(texto publicado originalmente no Jornal de Negócios)