Reestruturação da Impresa é prioridade com Berlusconi
O acordo parassocial firmado entre a Impreger e a MediaForEurope, com uma duração inicial de dez anos, renovável por períodos de cinco, estabelece como prioridade absoluta a reestruturação do Grupo e a redução da dívida. Esta cláusula reflecte a situação financeira da empresa, cuja dívida líquida remunerada se situava nos 126,9 milhões de euros no final de 2025. Só depois desse esforço de desalavancagem poderá avançar a remuneração dos accionistas, ainda que o acordo imponha a distribuição mínima de 50% do lucro distribuível em cada exercício.
Este ponto revela um compromisso entre as duas partes de, por um lado, reforçar a sustentabilidade financeira da empresa e, por outro, garantir retorno para os investidores, em particular para a MediaForEurope, que entra com uma posição relevante no capital.
Do ponto de vista societário, apesar da quase paridade nas participações — cerca de 33,7% para a Impreger e 32,9% para a MFE — o controlo efectivo permanece nas mãos da estrutura da família Balsemão. A Impreger mantém o poder de designar a maioria do conselho de administração, incluindo o presidente, que dispõe de voto de qualidade, garantindo assim a última palavra nas decisões estratégicas.
A MediaForEurope poderá indicar dois ou três administradores, consoante a dimensão do conselho, mas vê a sua autonomia limitada em várias matérias. Em decisões não consideradas reservadas, fica vinculada a alinhar o seu sentido de voto com o da Impreger, ou, na ausência de indicação, a abster-se.
O acordo foi analisado pela CMVM, que concluiu não ser necessária uma oferta pública de aquisição (OPA), precisamente por reconhecer que o domínio da sociedade não se altera. Ainda que exista imputação recíproca de direitos de voto entre as partes, o poder decisório continua concentrado na Impreger.
Outro elemento central é o compromisso de estabilidade accionista. O pacto prevê um período de lock-up de três anos, até 2029, durante o qual nenhum dos accionistas poderá vender, onerar ou reforçar a sua participação. Este mecanismo é acompanhado por uma cláusula de standstill, que impede movimentos agressivos no capital, nomeadamente aquisições adicionais por parte da MFE.
Acresce ainda um conjunto de restrições à circulação futura de acções. A MediaForEurope não poderá alienar a sua posição a concorrentes directos da Impresa em Portugal sem autorização prévia da Impreger, sendo também previstos direitos de preferência que reforçam o controlo da estrutura accionista.
(Créditos da imagem: Impresa)