Desde a imposição da lei de segurança nacional pela China em 2020, Hong Kong tem assistido a um declínio acentuado da liberdade de imprensa, reflectido na queda da cidade da 18ª para a 140ª posição num índice global da organização Repórteres Sem Fronteiras ao longo de cerca de duas décadas. 

O encerramento do Apple Daily e do Stand News, ambos jornais pró-democracia, exemplifica essa tendência. O fundador do Apple Daily, Jimmy Lai Chee-ying, foi condenado em Dezembro de 2025, enfrentando possível prisão perpétua por conspiração com forças estrangeiras e publicação de artigos com carácter de revolta. Outros executivos admitiram culpa no mesmo caso. 

Especialistas, como o professor Francis Lee, da Universidade Chinesa de Hong Kong, alertam que práticas jornalísticas anteriormente comuns, como comentários críticos e investigações independentes, tornaram-se ilegais ou altamente arriscadas. 

A autocensura aumentou não apenas devido à política, mas também por pressões económicas: grandes empresas, dependentes do mercado chinês e com ligações ao governo, limitam o espaço para críticas. Além disso, encontrar fontes dispostas a falar livremente tornou-se extremamente difícil, criando um ambiente de silêncio social generalizado.