Os trabalhadores da Lusa aprovaram, em plenário de 13 de Novembro, uma resolução em que exigem conhecer integralmente o plano de reestruturação que a administração apresentou à tutela, no âmbito do Orçamento do Estado para 2026.  

Pedem garantias firmes de que eventuais saídas de colaboradores serão exclusivamente voluntárias, transparentes e tratadas de forma igual para todos. Além disso, reivindicam explicações sobre os fundamentos da reestruturação, incluindo a justificação das mudanças previstas e o tipo de investimento destinado à valorização dos trabalhadores, nomeadamente aumentos salariais e reforço das condições de trabalho.  

A preocupação estende-se também à autonomia da gestão da Lusa: o plenário manifestou forte oposição à eventual transferência da sede para as instalações da RTP ou à partilha de colaboradores entre as duas entidades, por entender que estas soluções podem comprometer a independência editorial e a identidade institucional da agência. 

O documento aprovado defende ainda que o serviço público de agência de notícias deve ser inscrito na Constituição, num momento em que o ecossistema mediático enfrenta fragilidades e pressões externas. 

Os sindicatos — Sindicato dos Jornalistas, dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE CSRA) e dos Trabalhadores do Sector dos Serviços (SITESE) — foram mandatados para solicitar reuniões urgentes com o presidente do Conselho de Administração, Joaquim Carreira, com o ministro da Presidência, Leitão Amaro, e com todos os grupos parlamentares, procurando esclarecer as medidas em curso e assegurar que os trabalhadores são ouvidos no processo. 

As exigências surgem após declarações do presidente do Conselho de Administração da Lusa, que confirmou estar a ser avaliado um programa de saídas voluntárias, garantindo, contudo, que não haverá despedimentos nem ‘lay-off’. Joaquim Carreira sublinhou que o objectivo é renovar e qualificar a empresa, não reduzir postos de trabalho.  

O debate intensificou-se depois de o OE2026 anunciar um plano de reestruturação de oito milhões de euros (cerca de seis milhões após IVA) destinado a modernizar sistemas operacionais, fortalecer áreas consideradas frágeis e investir em novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, inovação e formação tecnológica.