Arquivo do jornal “A Bola” classificado
O arquivo histórico do jornal desportivo A Bola foi oficialmente classificado como “bem arquivístico e fotográfico de interesse público”, anunciou recentemente a Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), em portaria publicada no Diário da República.
Segundo a portaria, a decisão reconhece que o arquivo “constitui uma fonte relevante para o acesso a informação sobre os principais protagonistas da história do desporto nacional e internacional desde Eusébio da Silva Ferreira, Joaquim Agostinho, António Livramento, Carlos Lopes, Fernando Mamede, Rosa Mota, Aurora Cunha, Jordão, Toni, Humberto Coelho, Pelé, Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Cristiano Ronaldo, entre tantos outros”, afirmando a sua importância para a memória colectiva e investigação histórica.
A classificação surge na sequência do processo iniciado em Maio do ano passado, após a aquisição do jornal pelo grupo suíço Ringier Sports Media Group (RSMG), no Verão de 2023. Esta medida protege o arquivo enquanto “testemunho notável de vivências ou factos históricos, valor estético, técnico e material intrínseco”, tendo em consideração "as circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem, na sequência da sua aquisição por entidade estrangeira”.
O acervo inclui dossiês temáticos, recortes de censura, desenhos originais, colecções completas das publicações do jornal A Bola, assim como documentação administrativa da redacção e outros serviços de apoio. Já o arquivo fotográfico é composto por negativos de gelatina e sais de prata, provas em papel a preto e branco e a cores, bobines de microfilme e documentos electrónicos, a maior parte posteriores a 1945.
O director-adjunto de A Bola, Alexandre Pereira, explicou no ano passado que a classificação também visa preservar o arquivo face a limitações de espaço: “Procurámos o Comité Olímpico de Portugal para saber como poderíamos resolver o problema. No novo espaço não há espaço físico para o arquivo, que ainda continua na Travessa da Queimada. É a última coisa lá da actual A Bola e vai estar até que arranjemos uma solução de espaço, de acondicionamento e preservação. Pela importância que atribuímos ao arquivo, sobretudo fotográfico, entendemos que era importante ter parcerias no sentido de cuidar do arquivo”, declarou na altura.
Em Novembro de 2024, o acervo histórico foi transferido para custódia especializada, garantindo a sua curadoria e preservação. Com a classificação de interesse público, o arquivo do jornal A Bola passa a ter protecção legal e reforça a sua função como recurso histórico e cultural.
Arquivo do Diário de Notícias é “tesouro nacional”
Caso semelhante foi o do Diário de Notícias, cujo arquivo recebeu, em 2022, a classificação de “tesouro nacional”, a mais alta distinção prevista na Lei de Bases do Património Cultural. O arquivo, que cobre o período de 1864 a 2003, inclui a redacção, o património fotográfico, o arquivo administrativo e documentos de fundos privados, como o espólio do antigo director Alfredo da Cunha.
Rosália Amorim, ex-directora do DN, destacou que a decisão do Governo permitiu preservar “um legado importantíssimo para a História, para a democracia portuguesa e para o jornalismo, de que o DN sempre foi escola".
O pedido de protecção do arquivo foi feito em 2020 através de um requerimento de cidadãos, entre os quais ex-Presidentes da República, historiadores e jornalistas, que reclamaram a “urgente classificação” do arquivo do jornal de referência nacional.
A decisão garante a preservação de "dossiers temáticos, recortes de imprensa, recortes de censura, desenhos originais de inúmeras individualidades, que foram utilizados em ilustrações no jornal, colecções completas das publicações do jornal Diário de Notícias e de outras publicações da empresa, desenvolvidas no âmbito da sua actividade editorial, até 2003”, ano a partir do qual a empresa DN foi extinta e fundiu-se com a empresa do JN. O arquivo fotográfico “integra documentos maioritariamente posteriores aos anos 20 do século XX, nos quais se incluem negativos de gelatina e sal de prata em vidro e em película, chapas de vidro históricas, provas em papel p/b e cor, bobines de microfilme e documentos electrónicos”.