Dezenas de jornalistas egípcios realizaram, no dia 3 de Outubro, um protesto pacífico no Cairo para pedir a libertação de seis colegas presos. Segundo organizações não-governamentais, trata-se do ataque mais grave contra um órgão de comunicação independente em vários anos. 

As autoridades confirmaram a detenção dos seis jornalistas que constituíam a equipa editorial da Matsadaash, plataforma de investigação especializada em verificação de factos e um dos poucos media independentes do Egipto. 

A assembleia geral do Sindicato dos Jornalistas Egípcios declarou-se em sessão permanente e votou a continuação do protesto, que decorreu em frente à sede. O conselho do sindicato irá reunir para decidir os passos seguintes. 

O jornalista Mostafa Bassiouny, presente na manifestação, disse à Agence France-Presse que o perigo "diz respeito a todos os jornalistas independentes". Alertou que a já muito limitada margem de manobra do jornalismo independente está verdadeiramente ameaçada. 

Segundo organizações de direitos humanos e a direcção da Matsadaash, os seis foram presos em várias províncias. Advogados e ONGs afirmam que foram detidos sem que o seu paradeiro fosse comunicado de imediato às famílias ou aos representantes legais. 

Mais de 80 organizações regionais e internacionais, entre as quais a Human Rights Watch, os Repórteres Sem Fronteiras e o Comité para a Protecção dos Jornalistas, condenaram as detenções e exigiram a libertação imediata dos jornalistas. Bassam Khawaja, vice-director da HRW para o Médio Oriente e Norte de África, considerou que desmantelar uma redacção inteira em horas, sem aviso nem motivo válido, transmite uma mensagem alarmante a todos os que trabalham no país. 

O Ministério do Interior invocou a "divulgação de informações falsas" financiadas do exterior e ligações entre os seis jornalistas e a Irmandade Muçulmana, organização proibida no Egipto. As autoridades dizem que foram instaurados processos judiciais. A Matsadaash, cujo nome significa em árabe "não acredite nisso", rejeita as acusações. 

Organizações de direitos humanos acusam o Cairo de manter um elevado número de dissidentes e presos de consciência, o que as autoridades negam, afirmando que os detidos respondem perante a lei penal. De acordo com a Iniciativa Egípcia para os Direitos Humanos, o total de jornalistas detidos no país pelo seu trabalho chegou a 26.

(Créditos da imagem: Egyptian Initiative for Personal Rights)