A escritora britânico-turca Elif Shafak foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2026, um reconhecimento que homenageia a sua contribuição para a preservação e celebração do património cultural europeu através da literatura. 

A cerimónia de entrega está marcada para 5 de Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. 

O júri do prémio destacou a forma como a escrita de Shafak "dá vida à riqueza e complexidade da nossa memória e identidade culturais", ligando o passado, presente e futuro. Segundo os responsáveis pela distinção, a autora "convida os leitores a descobrir, compreender, valorizar e cuidar do património que partilhamos", numa altura de crescente polarização e ansiedade social. 

Em reacção ao anúncio, Elif Shafak manifestou-se "muito comovida e profundamente honrada", sublinhando a importância deste prémio pelo seu empenho em sensibilizar o público para o património cultural e literário, algo que considera "ainda mais importante e necessário no mundo fragmentado de hoje". 

Uma carreira multipremiada 

Autora de 21 livros, 13 dos quais romances traduzidos para 58 línguas, Shafak tem obra publicada em Portugal pela Editorial Presença, incluindo títulos como A Ilha das Árvores Perdidas e 10 Minutos e 38 Segundos neste Mundo Estranho, ambos finalistas de importantes prémios literários internacionais. O seu romance mais recente em Portugal, Também há Rios no Céu, venceu o Prémio Edward Stanford 2025 e o Prix Fragonard de Littérature Étrangère, entre outros reconhecimentos. O seu próximo livro, In One Brief Moment All Eternity, chega às livrarias no Reino Unido a 15 de Outubro. 

Doutorada em Ciências Políticas, Shafak leccionou em universidades na Turquia, nos Estados Unidos e no Reino Unido, sendo actualmente membro honorário do St Anne's College, da Universidade de Oxford. É também presidente da Royal Society of Literature e defensora activa dos direitos das mulheres, dos direitos LGBTQ+ e da liberdade de expressão. 

Sobre o prémio 

Instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em colaboração com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva homenageia anualmente a memória da jornalista e activista cultural portuguesa que lhe dá nome (1939-2002). Entre os laureados anteriores contam-se nomes como o Nobel Orhan Pamuk (2014), o cineasta Wim Wenders (2017) e, mais recentemente, a pianista Maria João Pires (2026). 

(Créditos da imagem: Ferhat Elik)