Os arquivos de “media” e a memória tema vencedor do Prémio Mário Soares
Numa cerimónia realizada na sala do Senado da Assembleia da República, foi entregue o primeiro Prémio Mário Soares Liberdade e Democracia, à jornalista Sofia Craveiro, distinguida pela sua série de artigos inseridos na plataforma Gerador e intitulados "Arquivos de Media - Memória sem Garantia de Preservação", um trabalho que implicou dois anos de investigação.
Na sua intervenção, Sofia Craveiro observou que se faz jornalismo "num contexto em que a profissão continua a ser precária, desvalorizada e desacreditada".
Mais adiante, a premiada, dirigindo-se aos deputados presentes na sala, pediu para que "façam o que está a vosso alcance para mudar isto. O jornalismo não pode continuar refém dos interesses financeiros, dos cliques, dos likes, dos insultos e das tentativas de intimidação autoritária".

Lançado no ano passado pelo Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o Prémio Mário Soares tem como objectivo distinguir actividades ou trabalhos centrados nos valores defendidos pelo antigo Primeiro-Ministro e Chefe de Estado. Com o valor de 25 mil euros, o prémio tem uma periodicidade anual e constitui uma homenagem a Mário Soares, no âmbito do centenário do seu nascimento.
Recorde-se que o prémio é atribuído pelo Presidente da Assembleia da República, mediante proposta do Júri, que funciona junto da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, e é constituído por um deputado de cada grupo parlamentar, representantes da academia, da Fundação Mário Soares e do Clube Português de Imprensa.
À cerimónia assistiram também os filhos de Mário Soares, Isabel e João Soares.
No seu discurso, José Pedro Aguiar-Branco salientou, a propósito do tema escolhido pela jornalista vencedora, que "em democracia, a memória é um dever", indicando também que actualmente "a grande questão já não é apenas a digitalização dos arquivos", mas igualmente "o modo como arquivar o digital".
E a propósito referiu que "o risco que corremos é que, daqui a 50 anos, seja mais fácil consultar jornais de 1975 do que os blogues de 2010". E na mesma linha de reflexão, o Presidente da Assembleia da República referiu ainda que se corre o risco de ser "mais fácil pesquisar a correspondência diplomática do século XIX do que ouvir um podcast de 2026".
E a concluir, Aguiar-Branco advertiu que "precisamos de fazer mais e melhor, pela preservação do nosso património colectivo (...) mobilizando os meios do Estado e a sociedade civil, unindo esforços e investindo os recursos necessários".