Os jovens estão a estabelecer uma relação cada vez mais próxima com influenciadores e criadores de conteúdos digitais como fonte de informação, enquanto os meios de comunicação tradicionais enfrentam o desafio de adaptar as suas estratégias para responder aos novos hábitos de consumo. A conclusão resulta de um estudo do Media Insight Project, que analisa as diferenças entre adolescentes e adultos na forma como acedem e confiam nas notícias. 

Ao contrário das gerações anteriores, que associavam o consumo de notícias ao jornal impresso ou ao telejornal, os jovens recebem hoje informação através de um fluxo contínuo de conteúdos nas redes sociais. Vídeos curtos, transmissões em directo e recomendações dos algoritmos fazem com que as notícias surjam misturadas com conteúdos de entretenimento. 

Mabruk Alam, estudante do ensino secundário e editor multimédia de um jornal escolar na Florida, afirma que as notícias deixaram de ser um destino específico para se tornarem uma presença constante no telemóvel. Segundo o jovem, a ligação emocional aos criadores de conteúdos é determinante para captar e manter a atenção do público, num ambiente digital marcado pela rapidez com que surgem e desaparecem tendências. 

O estudo revela que 81% dos adolescentes entre os 13 e os 17 anos obtêm notícias através de influenciadores digitais. Ainda assim, tanto jovens como adultos continuam a valorizar a precisão da informação, a transparência e a credibilidade das fontes, sendo as notícias locais aquelas que recolhem maiores índices de confiança. Os dados mostram igualmente que cerca de 70% dos inquiridos utilizam produtos noticiosos pagos, contrariando a ideia de que os públicos mais jovens procuram apenas conteúdos gratuitos. 

Alguns especialistas defendem que a autenticidade é um dos principais factores para conquistar as novas gerações. Emily Schario, fundadora do projecto B-Side, do Boston Globe, considera que o jornalismo deve abandonar uma comunicação excessivamente institucional e apostar numa abordagem mais próxima, capaz de estabelecer relações de confiança com o público sem comprometer o rigor editorial. Utilizar uma linguagem acessível, explorar formatos adaptados às plataformas digitais e dar maior protagonismo aos jornalistas enquanto narradores das histórias fazem parte da estratégia. 

Também Claudia Amaro, fundadora da plataforma hiperlocal Planeta Venus, destaca a importância de produzir conteúdos direccionados para comunidades específicas, recorrendo sobretudo às redes sociais para informar e envolver os leitores. Esta tendência acompanha o crescimento da chamada "economia de clips", baseada na distribuição de pequenos excertos de vídeos, podcasts e transmissões em directo, que conseguem frequentemente alcançar mais pessoas do que os conteúdos originais. 

A investigação alerta, contudo, para os riscos da fragmentação do consumo de notícias. A diminuição dos espaços comuns de informação pode aprofundar divisões entre gerações e favorecer a criação de câmaras de eco, onde cada utilizador recebe conteúdos alinhados com os seus interesses e opiniões. Para Eunice Lin Nichols, cofundadora da CoGenerate, esta realidade dificulta o diálogo intergeracional e pode agravar fenómenos como a polarização e a solidão social. 

Face a este cenário, investigadores e profissionais da comunicação defendem que o futuro do jornalismo passa por reforçar a ligação com as comunidades, investir em jornalismo de soluções e criar espaços de participação para os jovens. A construção de relações de confiança poderá ser determinante para garantir a sustentabilidade dos meios de comunicação social e formar públicos mais informados. 

(Créditos da imagem: Unsplash)