O canal de televisão "Conta Lá" avançou com um processo de lay-off, através da suspensão temporária de contratos de trabalho ou da redução do horário laboral, no âmbito de uma reestruturação destinada a reduzir custos, numa altura em que enfrenta atrasos no pagamento de salários. 

A decisão foi comunicada aos trabalhadores pelo presidente executivo, Sérgio Figueiredo, numa mensagem interna. Segundo o responsável, o projecto deverá entrar numa outra fase em Setembro, com novos meios financeiros para reforçar o investimento, sendo necessário garantir a viabilidade da empresa até essa data. 

A administração considera que o lay-off é a solução que melhor protege trabalhadores e empresa, evitando um despedimento colectivo e permitindo manter os vínculos laborais. Sérgio Figueiredo reconheceu ainda que a empresa não dispõe de liquidez suficiente para regularizar todos os salários em atraso. Apenas cerca de 40 trabalhadores receberam os vencimentos de Maio, enquanto a maioria continua sem receber, apontando o dia 31 de Julho como a data prevista para a regularização dos pagamentos. 

Na comunicação enviada aos trabalhadores, o gestor admitiu também que, enquanto persistir a incerteza sobre o pagamento dos salários, os colaboradores ficam dispensados de cumprir as obrigações previstas nos respectivos contratos de trabalho. 

Entretanto, multiplicam-se os litígios judiciais relacionados com salários em atraso. O jornalista Paulo Salvador, antigo colaborador do canal, avançou com um procedimento de injunção para reclamar seis meses de remunerações em falta. Em declarações ao Correio da Manhã, justificou a saída do projecto com o incumprimento das condições contratuais, afirmando que deixou de ter condições para continuar a trabalhar sem receber. Segundo o mesmo jornal, há outros trabalhadores que também recorreram à justiça para exigir o pagamento de valores em dívida. 

(Créditos da imagem: Conta Lá)