A confiança dos portugueses nas notícias caiu para 54%, o valor mais baixo em 10 anos. Ainda assim, Portugal continua entre os países mais confiantes, ao manter-se no 7.º lugar entre 48 países com maiores níveis de confiança, segundo o Digital News Report Portugal 2025. Desde 2015, a confiança caiu 10 pontos percentuais. 

Os que mais confiam são pessoas mais velhas, com maior escolaridade, rendimentos mais elevados e com orientação política definida (sobretudo à esquerda e ao centro). Já os inquiridos mais jovens, entre os 25 e os 44 anos, os de rendimento e escolaridade mais baixos e os politicamente indefinidos são os que menos confiam. 

Metade dos portugueses mostra interesse por notícias, “mantendo-se este indicador praticamente inalterado face a 2024 e consolidando a estabilização registada nos últimos três anos, após a acentuada quebra verificada em 2022”. O interesse é mais elevado entre os mais velhos (62% entre os indivíduos com mais de 65 anos) e mais baixo entre os jovens adultos (39% entre os 18-24 anos). 

De acordo com o relatório, “o interesse é também superior entre os homens face às mulheres e bastante menor entre os politicamente indecisos ou indefinidos”. 

A maioria dos portugueses recorre a marcas de notícias da sua confiança e fontes oficiais e uma minoria consulta mais de três fontes diferentes para confirmar informações suspeitas, sendo que os jovens diversificam mais as suas fontes. Usam mais redes sociais, comentários e chatbots de IA para confirmar informação. 

38% dos inquiridos recorre a marcas da sua confiança, 38% a fontes oficiais e 35% utilizam motores de busca e verificadores de factos independentes, como o Polígrafo

A RTP lidera o ranking de confiança nas marcas noticiosas (75%), seguida do Jornal de Notícias (74%), Expresso (73%), SIC (73%), Rádio Comercial (72%), Público (71%) e Rádio Renascença (70%). No entanto, a confiança na maioria das marcas está a cair, com excepção do Correio da Manhã, Observador e Notícias ao Minuto, que aumentaram a sua credibilidade desde 2018. 

A preocupação com a desinformação na internet 

Portugal está entre os países mais preocupados com a desinformação online (71%), acima da média global (58%). Os influencers (51%) e os políticos nacionais (44%) são apontados como principais responsáveis por disseminação de desinformação. Facebook (56%) e TikTok (55%) são vistas como as plataformas mais associadas a este risco. 

A tendência para evitar notícias mantém-se: 

  • 35% evitam notícias com frequência ou ocasionalmente, sendo mais comum entre mulheres, pessoas com baixa escolaridade e rendimentos; 
  • As razões mais citadas são: cansaço com a quantidade de notícias (39%), saturação com guerras (38%) e impacto negativo no humor (32%); 
  • Jovens evitam por sentirem falta de relevância, polarização, impotência e dificuldade em acompanhar os conteúdos. 

A nível global, a confiança nas notícias manteve-se estável em 40% pelo terceiro ano seguido, embora ainda abaixo do nível atingido durante a pandemia. Finlândia e Nigéria têm os índices mais altos de confiança (67% e 68%), enquanto Grécia e Hungria registam os mais baixos (ambos com 22%). 

O relatório salienta que os inquiridos acreditam que a confiança pode ser reforçada com mais exactidão, transparência e jornalismo original, e menos cobertura tendenciosa.  

O relatório inquiriu cerca de 97 mil indivíduos utilizadores de internet de 48 países. Em Portugal foram inquiridos 2012 indivíduos. 

(Créditos da imagem: Sebastião Almeida)