Os novos “media” nas campanhas partidárias dos EUA
Pete Brown, director de pesquisa do Tow Center for Digital Journalism, realizou um estudo acerca de jornalismo “pink slime”, isto é, sobre meios de comunicação que publicam notícias de baixa qualidade e que promovem uma ideologia política específica, recolhendo os dados dos utilizadores.
Brown baseou-se nas eleições intercalares de Illinois, onde foram criados meios de comunicação que praticavam essa actividade, de forma a manipular o público a votar no candidato republicano, Darren Bailey, ao invés de votarem em JB Pritzker, actual governador daquele estado americano.
Ficou provado que estes jornais locais, “que prometiam dados e notícias reais”, eram, de facto, um produto do Local Government Information Services (LGIS), “fazendo parte de uma rede mais ampla de websites a favor dos republicanos”, e ajudavam Bailey na autopromoção e/ou no ataque de rivais em momentos políticos.
Brown demonstrou que foram publicados, entre Janeiro e Outubro deste ano, cerca de 228 artigos centrados no candidato republicano, registando um “aumento notável em Agosto, quando foram produzidos 86 artigos diferentes”, altura em que Bailey estava sob polémica e tentava defender-se.
No entanto, a cobertura da LGIS não tocou neste ponto, tendo-se focado em outros alvos políticos nomeados, como o governador de Illinois, o Departamento de Crianças e Serviços Familiares de Illinois, Kim Foxx, Lori Lightfoot, o Presidente Joe Biden entre outros.
Um dos meios de comunicação a favor de Bailey, o Prairie State Wire, dominou a cobertura do candidato, publicando 26% das histórias encontradas por Brown, ainda que os seus artigos tenham sido “distribuídos por uma série de websites”.
Dezembro 22
Entre as críticas frequentemente feitas aos sites da LGIS está a falta de transparência acerca dos proprietários e do financiamento, o que levanta mais “red flags” acerca da legitimidade destes media.
As redes socias da LGIS “ilustram, também, a natureza atípica do suposto website de notícias”, verificando-se que alguns dos “jornais” tiveram as suas contas suspensas e apresentam claros indícios de uma inclinação política.
Brown comprovou, ainda, que o próprio candidato republicano pagou para promover artigos da LGIS no Facebook, cujos temas favoreciam Bailey.
Note-se que, apesar da adoção desta estratégia, foi Pritzker quem alcançou a vitória que, embora confortável, apresentou uma margem inferior à registada em 2018.
O autor do estudo alertou, então, para o jornalismo “pink slime”, uma vez que “os relatórios indicam que, apesar de poucos benefícios directos e óbvios, as redes partidárias de pseudonotícias continuam a ter um grande, e aparentemente crescente, apelo”.
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