Relatora da ONU confirma morte de Khashoggi como “assunto de Estado”
A relatora de direitos humanos das Nações Unidas, Agnes Callamar, afirmou não ter dúvidas de que assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, do Washington Post, foi premeditado e se tratou de um "assunto de Estado” e não foi, apenas, “uma operação desonesta por parte de indivíduos que decidiram um dia matar Khashoggi”. Durante o último ano, Callamard liderou um grupo de investigação internacional sobre o assassinato do jornalista e lamenta que a ONU não tenha aproveitado o seu relatório para realizar uma investigação internacional.
Um ano depois da morte de Jamal Khashoggi, poucas consequências decorreram do seu assassinato. Apesar do choque e da indignação com a sua morte, não foi feita justiça para o jornalista e até ao momento não houve condenados.
Sobre o crime, a perita adiantou que muitos oficiais da capital saudita estiveram envolvidos na organização desta “operação especial” e que tem conhecimento que, depois do assassinato, as autoridades de Riade também estiveram implicadas. Referiu, ainda, que 17 sauditas terão investigado o acto e, supostamente, limparam a cena do crime.
Outubro 19
O jornalista entrou a 2 de Outubro de 2018 na embaixada da Arábia Saudita em Istambul e nunca mais foi visto. O seu assassinato destacou-se pela sua brutalidade e pela forma como foi executado.
A equipa de investigação destacada realizou um documento de cem páginas sobre o homicídio, no qual são analisadas provas criminais recolhidas na Turquia e noutros locais.
Quanto ao envolvimento do príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman, Callamard referiu que não sabia se este teria dado a ordem para executar o crime, mas considerou que há “provas suficientes, apontando para a responsabilidade dele em algum nível”.
De relembrar, que Khashoggi criticava fortemente o príncipe herdeiro do seu país e o rei.
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