Faites vos jeux - As palavras do início desta nota reproduzem uma frase habitual nas mesas de roleta dos casinos. Lembrei-me dela a propósito do  processo de nomeação de novo Conselho de Administração da RTP. Vale a pena olhar para a realidade televisiva e a paisagem mediática portuguesa.

A RTP1 é vista, em média,  por cerca de 2,5 milhões de espectadores, a SIC e a TVI por 3,1 milhões e a RTP2 por cerca de 200 mil. Passando para os canais informativos do cabo, a CMTV tem uma média de 1,3 milhões, a CNN e a SIC Notícias andam pelos 600 mil, o News Now pelos 400 mil e a RTP Notícias por 300 mil.

O canal de cabo na área do entretenimento com maior audiência tem sido o Star Channel, com 400 mil espectadores.

Feitas as contas os telespectadores seguem preferencialmente canais de cabo (39,7%) e plataformas de streaming (21,5%), num total de 61,2%, o que deixa 38,8% para os canais de sinal aberto e gratuitos, que podem ser vistos nos operadores de telecomunicações ou, muito residualmente, na TDT.

Vamos a mais números: segundo a ANACOM 95% dos alojamentos portugueses estão cablados com fibra óptica e 92% das famílias portuguesas subscrevem serviços de comunicações em pacote, que incluem acesso a canais generalistas e de cabo e ligação à internet.

Em termos publicitários isto significa que a televisão, no total, entre canais de cabo e generalistas, capta 45,3% do investimento publicitário em Portugal, sendo seguida pelo digital, com cerca de 32%, a publicidade de rua em outdoors com cerca de 15% e a rádio com 6%.

A imprensa, jornais e revistas captam menos de 1,5% do total do volume da publicidade, o que explica a sua crise.

Os números mostram que a RTP, apesar das limitações que tem, por lei, quanto ao tempo de publicidade por hora (no máximo seis minutos, metade dos canais privados) pode ser um negócio apetecível se cair nas mãos de quem quer faturar em vez de fazer serviço público.

Com um Governo que sobre esta matéria lava as mãos como Pilatos, mas continua a poder influenciar a escolha de quem dirigirá a RTP, sem dizer de forma transparente que orientação quer para o serviço público,  a situação é preocupante.

Com o mercado publicitário a valer no final deste ano, provavelmente, cerca de 670 milhões de euros, isso quer dizer que os operadores de televisão encaixam à volta de 300 milhões. A ver vamos quem arrebata o prémio e em que condições.