Morreu nos Estados Unidos Peter Arnett, lendário repórter de guerra
Peter Arnett, um dos mais reconhecidos repórteres de guerra do século XX, morreu aos 91 anos, em Newport Beach, na Califórnia, Estados Unidos. O jornalista tornou-se uma referência mundial pela forma como cobriu alguns dos mais violentos conflitos da história recente, com especial destaque para a guerra do Vietname e para a Guerra do Golfo.
Arnett ganhou projecção internacional em 1991, quando decidiu permanecer em Bagdade no início da ofensiva norte-americana contra o Iraque. A partir do quarto de um hotel na capital iraquiana, transmitiu em directo para a CNN, através de um telefone portátil, os primeiros bombardeamentos, levando pela primeira vez a guerra em tempo real para os ecrãs de televisão de todo o mundo.
Antes disso, já se tinha destacado como correspondente da Associated Press (AP) no Vietname, cobertura que lhe valeu o Prémio Pulitzer em 1966. As suas reportagens desse conflito marcaram profundamente a forma como a guerra passou a ser relatada, privilegiando o testemunho directo e o impacto humano dos combates.
Nascido a 13 de Novembro de 1934, em Riverton, na Nova Zelândia, Peter Arnett iniciou a carreira no jornal local Southland Times. Sonhava trabalhar em Londres, mas acabou por seguir para a Ásia, passando pela Tailândia, onde trabalhou no Bangkok World, e mais tarde pelo Laos. Foi nessa região que estabeleceu os contactos que lhe permitiram ingressar na Associated Press.
Na AP tornou-se correspondente na Indonésia, país de onde viria a ser expulso pelo governo local na sequência da crise política e financeira. Seguiu depois para o Vietname, onde acompanhou a guerra até ao momento em que a capital Saigão passou para o controlo dos vietnamitas do Norte. Nos últimos dias do conflito, recebeu ordens para destruir documentos da agência, mas optou por enviá-los para a sua casa, em Nova Iorque. Esses arquivos encontram-se hoje preservados pela AP.
“Foi um dos maiores correspondentes de guerra da sua geração. Intrépido, destemido e um extraordinário contador de histórias”, afirmou Edith Lederer, antiga correspondente da AP no Vietname e actualmente chefe da delegação da agência junto das Nações Unidas.
Em 1981, Peter Arnett deixou a AP para integrar a recém-criada CNN, onde permaneceu até 1999. A sua saída ficou marcada pela polémica em torno de uma reportagem de investigação, posteriormente retirada do ar, que alegava a utilização de gás sarin contra soldados norte-americanos no Laos, em 1970.
Em 2003 regressou ao Médio Oriente para cobrir a segunda Guerra do Golfo para a NBC e para a National Geographic. Acabaria novamente por ser afastado, depois de conceder uma entrevista à televisão estatal iraquiana em que criticou a estratégia militar dos Estados Unidos.
Nos anos seguintes dedicou-se ao ensino, tendo sido professor de jornalismo na Universidade de Shantou, na província chinesa de Guangdong. Reformou-se em 2014 e mudou-se para a Califórnia com a mulher, Nina Nguyen.
(Créditos da imagem: imagem retirada do site do Diário de Notícias)