Os jornalistas do 20 Minutes aprovaram uma moção de desconfiança contra o director-geral e director da publicação, Ronan Dubois, nomeado em 2023, acusando-o de "decisões incompreensíveis", entre elas o congelamento das contratações e a não substituição das baixas por doença, que “terão agravado a situação financeira” do jornal. 

Segundo os sindicatos SNJ-CGT e SNME-CFDT, 77% dos 52 jornalistas que participaram na votação interna votaram a favor da moção, que foi adoptada por 82,5%. Os chefes de redacção não votaram, como é prática habitual no jornal. 

“Esta nova redução dos colaboradores tem um impacto importante na redação, que se vê confrontada com uma carga de trabalho e uma pressão cada vez maiores”, denunciaram os jornalistas. 

Além disso, os profissionais acusam Dubois de “destruição meticulosa dos benefícios sociais”, incluindo o fim do teletrabalho, a cessação do pagamento de direitos de autor e a recusa “categórica” em pagar os direitos de vizinhança. Foram ainda mencionados dois despedimentos recentes, considerados injustificados. 

A situação agravou-se com alegados comentários “inapropriados e possivelmente discriminatórios” de Ronan Dubois dirigidos a uma delegada sindical transexual, actualmente sob investigação. 

A redacção recorda ainda as declarações proferidas aquando da assembleia geral de 27 de Junho “que sugeriam que os accionistas poderiam transformar o 20 Minutes numa ‘régie’ se o clima social não voltasse a ser ‘sereno’”. 

A moção surge num momento em que o 20 Minutes foi recentemente condenado em tribunal por “discriminação” e “assédio moral” contra um jornalista com deficiência. 

Perante este panorama, os jornalistas consideram que “não se pode confiar em Ronan Dubois para dirigir o 20 Minutes”. O jornal, fundado em 2002, deixou de ser impresso em Setembro de 2024, tornando-se exclusivamente digital.

(Créditos da imagem: Radio France - Frédérick FLORIN)