Podcast “Journalism 2050” reflecte sobre o jornalismo futuro
O podcast Jornalismo 2050, uma série do Tow Center for Digital Journalism e da Columbia Journalism Review, pretende imaginar como poderá ser o jornalismo nos próximos 25 anos, analisando também os pontos de viragem do passado que poderiam ter alterado o rumo da profissão.
O primeiro convidado foi Douglas Rushkoff, escritor frequentemente rotulado de futurista mas que prefere chamar-se “presentista”, por acreditar que compreender o momento presente é mais profundo do que tentar prever o futuro. Rushkoff recorda como, nos anos 90, muitos subestimaram o impacto duradouro da internet e identifica como ponto de rutura a “Declaração de Independência do Ciberespaço”, que defendia a libertação da internet do controlo governamental, sem prever que o vazio seria ocupado por grandes empresas.
Outros convidados do Journalism 2050, como Azmat Khan e Anya Schiffrin, docentes e investigadores da Universidade de Columbia, discutiram a captura da internet por interesses comerciais e políticos e analisam o impacto desta questão no jornalismo e na liberdade de imprensa, usando como exemplo a guerra em Gaza e as estratégias israelitas para excluir repórteres e silenciar vozes independentes.
Também Ben Smith, cuja carreira atravessou várias fases do jornalismo digital, do BuzzFeed ao New York Times e agora no Semafor, revisita momentos decisivos da internet, como o episódio viral do vestido de duas cores diferentes, que revelou como as plataformas amplificam conteúdos divisivos por gerarem envolvimento lucrativo. Essa lógica transformou a escala e a natureza do conflito online, criando divisões que rapidamente se tornaram monetizáveis.
O podcast destaca ainda iniciativas que procuram modelos alternativos para o futuro, como o “jornalismo do cuidado” defendido por Candice Fortman e Sarah Alvarez, do Outlier Media de Detroit, que privilegia o serviço directo às comunidades com menos recursos e a sua participação no processo jornalístico. Para estas autoras, o futuro do jornalismo não depende de tecnologias específicas, mas de relações reais e de um trabalho profundamente humano.
Entre todos os participantes, emerge um consenso: o futuro do jornalismo exige reconstruir ligações de base, organizar-se colectivamente e encontrar formas sustentáveis de garantir que a informação chega a quem mais precisa.
Os episódios do podcast Jornalism 2050 serão publicados quinzenalmente.
(Créditos da imagem: Aaron Fernandez / imagem retirada do site do CJR)