O problema da desorientação informativa no contexto brasileiro durante as campanhas eleitorais
O artigo de opinião de Carlos Castilho, habitualmente publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, parceiro do CPI, aborda o problema da desorientação informativa durante as campanhas eleitorais, especialmente no contexto brasileiro. Segundo o autor, neste período aumentam a desinformação, as fake news e as versões contraditórias divulgadas tanto por candidatos e partidos como pela própria imprensa e pelas plataformas digitais. Como consequência, o eleitor encontra-se perdido num ambiente informativo caótico.
Castilho explica que, perante este cenário, muitos cidadãos acabam por adoptar uma de duas atitudes: “tapar os ouvidos e fechar os olhos aderindo a uma das correntes políticas envolvidas na campanha eleitoral, ou desligar-se de tudo e passar a ser um ermita eleitoral, descrente de tudo e de todos”. Acrescenta que “a primeira opção leva à formação de bolhas, à xenofobia e à polarização ideológica. A segunda hipótese ao abstencionismo eleitoral”. Para o autor, nenhuma destas opções favorece o fortalecimento da democracia, que deveria ser o principal objectivo de uma campanha eleitoral.
O texto também destaca o fenómeno conhecido como news avoiders, ou seja, pessoas que evitam consumir notícias devido à dificuldade em compreender o que realmente está a acontecer. Este comportamento surge porque existe uma crescente distância entre os temas abordados pela grande imprensa e as preocupações da população. Como resultado, muitos cidadãos deixam de ver o voto como um acto de participação democrática e passam a encará-lo como uma obrigação incómoda.
Castilho apresenta ainda o exemplo das eleições na Costa Rica, onde a abstenção atingiu níveis históricos, algo inesperado num país tradicionalmente conhecido pela forte participação democrática.
"O mais preocupante de tudo isto é que a imprensa, que deveria ser uma espécie de âncora ou tábua de salvação do eleitor desorientado, não está a cumprir este papel”, refere o autor. Em vez disso, muitos meios de comunicação aproximam-se de interesses políticos e económicos para garantir sustentabilidade financeira, o que compromete a imparcialidade informativa. "A transparência informativa é uma condição básica para que as campanhas políticas contribuam para que as eleições cumpram o seu papel na democracia. Boa parte da responsabilidade por esta transparência cabe à imprensa e ao jornalismo, as instituições que a sociedade escolheu para ajudar os cidadãos a tomar decisões”, conclui.
(Créditos da imagem: Imagem retirada do site Observatório da Imprensa (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil))