Novo canal de TV “Conta Lá” aposta em histórias fora dos grandes centros
O novo canal de televisão por cabo Conta Lá iniciou a 11 de Dezembro as suas transmissões regulares, consolidando um projecto de media multiplataforma que pretende mostrar “o país como um todo”, com especial atenção a histórias, pessoas e territórios fora do eixo habitual de Lisboa.
Liderado por Sérgio Figueiredo, antigo director de informação da TVI e ex-director do Diário Económico e do Jornal de Negócios, o projecto começou a ser desenvolvido no primeiro semestre de 2025 e integra televisão, site com futura plataforma de streaming, YouTube e redes sociais. Segundo o director de programas, Diogo Alexandre, o objectivo passa por diversificar linguagens e chegar às audiências onde quer que estas se encontrem.
A linha editorial do Conta Lá aposta em conteúdos inovadores, alguns inspirados em formatos de plataformas como a Netflix ou a HBO, mas adaptados à realidade da televisão generalista portuguesa.
A programação arrancou com Minha Terra Minha Gente, uma série de mini-documentários que retrata pessoas, tradições e profissões de diferentes pontos do país, seguindo-se Doce Memória, apresentado por Paulo Salvador, dedicado a receitas tradicionais de doces de Natal quase esquecidas. Até 6 de Janeiro, a programação tem o Natal como fio condutor, com programas como O Melhor Natal de Portugal e HuManual de Natal, este último recorrendo a ilustrações geradas por inteligência artificial.
O canal assume a IA como uma ferramenta para acrescentar valor, sublinhando que não substitui pessoas, mas enriquece os conteúdos. Com mais de 90 profissionais envolvidos, o Conta Lá aposta fortemente na produção própria, sobretudo em formatos de rua e de proximidade.
Entre os conteúdos previstos para Dezembro e Janeiro destacam-se ainda análises às eleições autárquicas, reportagens sobre zonas afectadas pelos incêndios fora do período crítico e novos programas como Nave Voadora e A Terra Que Me Fez, que procuram uma abordagem mais humana e menos centrada na lógica política tradicional.
O Conta Lá assume, também, como desafio captar públicos que habitualmente não vêem televisão, apostando na circulação de conteúdos entre redes sociais e o ecrã televisivo. “Queremos chegar às audiências onde elas estiverem”, resume Diogo Alexandre, sublinhando a ambição de construir um projecto verdadeiramente transversal e descentralizado no panorama mediático português.
(Créditos da imagem: imagem retirada do site do canal Conta Lá)