O Estado português tornou-se proprietário da totalidade do capital social da Lusa – Agência de Notícias, após concluir a compra das 58 mil acções detidas pela NP – Notícias de Portugal, adquiridas por 2,50 euros cada, num investimento total de 145 mil euros. A operação, realizada através da Entidade do Tesouro e Finanças, encerra um processo de vários meses de consolidação accionista. 

Em comunicado, o Governo esclarece que esta aquisição “sucede à aquisição, também já executada, da participação que era detida pela RTP”, passando o Estado a deter 2.129.690 acções, equivalentes ao capital social total da agência, avaliado em 5,3 milhões de euros. 

Em paralelo, os ministros de Estado e das Finanças e da Presidência aprovaram o projecto de novos estatutos da Lusa, que introduzem alterações profundas à estrutura de governação. Segundo a nota oficial, o documento “altera o modelo de governação da sociedade com vista a reforçar a sua capacidade e agilidade executiva, bem como a independência da actividade informativa e noticiosa da agência face aos poderes políticos, económicos, sociais e desportivos”. 

O reforço da posição estatal na Lusa começou em 2024, quando o Governo aumentou a sua participação de 50,2% para 97,3%, através da compra das participações detidas por entidades privadas. 

Em Julho de 2024, foi concluída a aquisição das posições da Global Media Group e da Páginas Civilizadas. O negócio aguardava apenas a saída do World Opportunity Fund (WOF) da estrutura accionista da Páginas Civilizadas — e, por inerência, da Global Media — para ser finalizado. 

Posteriormente, o Executivo confirmou a intenção de comprar as restantes participações minoritárias, pertencentes à NP – Notícias de Portugal, ao Público, à RTP e à Empresa do Diário do Minho, processo que ficou agora totalmente concluído. 

No final de Outubro, o ministro da Presidência já havia antecipado que pretendia “acabar de arrumar a casa” na Lusa e concluir a aquisição integral da agência, bem como aprovar o novo modelo de governação ainda durante o mês de Novembro. 

(Créditos da imagem: Lusa)