A confiança dos cidadãos norte-americanos nos jornalistas continua em níveis baixos, com a maioria a duvidar da sua capacidade de actuar no interesse público, segundo uma nova análise do Pew Research Center

De acordo com o estudo, 57% dos americanos afirmam ter pouca ou nenhuma confiança nos jornalistas, incluindo 40% que dizem não ter “muita confiança” e 17% que não têm “nenhuma confiança”. Em contraste, apenas 43% dos inquiridos declaram ter “muita” ou “bastante” confiança. 

Este nível de desconfiança não é novo. Estudos anteriores já indicavam que os jornalistas são menos confiados do que outras instituições e profissões, como as forças armadas, os cientistas ou a polícia. A percepção negativa estende-se também às organizações noticiosas em geral. 

O estudo evidencia uma clivagem partidária significativa. Os democratas e independentes próximos deste partido são mais do dobro dos republicanos a confiar nos jornalistas: 61% contra apenas 25%. 

Esta diferença tem-se mantido consistente desde 2020, embora tenha diminuído ligeiramente ao longo do tempo. A tendência acompanha outros dados que mostram que os democratas confiam mais nas notícias (tanto de meios nacionais como locais) e recorrem com maior frequência às principais fontes de informação. 

Uma perda de confiança generalizada 

Para além dos dados quantitativos, o estudo incluiu grupos de discussão com 45 participantes, revelando uma percepção transversal de perda de credibilidade do jornalismo. 

Uma participante democrata, na casa dos 50 anos, sintetizou esse sentimento: “Neste momento, não temos jornalistas realmente bons que façam notícias precisas”. 

Entre os participantes, independentemente da filiação política, surgiu a ideia de que já não é claro em quem confiar. Perante esse cenário, alguns dizem adoptar estratégias mais cautelosas, como verificar informações ou limitar o consumo a fontes consideradas fiáveis. 

Uma mulher republicana, na casa dos 40 anos, descreveu esta mudança de atitude: “Antigamente […] bastava ligar o noticiário […] e era como se tudo fosse credível e fiável”. Hoje, acrescenta, “temos de encarar as coisas com alguma cautela […] e temos simplesmente de aplicar um filtro”. 

Os resultados apontam para um desafio estrutural para o jornalismo nos Estados Unidos: recuperar a confiança do público num contexto marcado por polarização política, fragmentação mediática e crescente cepticismo. 

(Créditos da imagem: Pexels)