O Reuters Institute For The Study of Journalism consultou 17 especialistas do sector para traçar as principais tendências do jornalismo em 2026, destacando o papel crescente da inteligência artificial (IA) no acesso às notícias, na automatização de tarefas e na verificação de conteúdos. 

Segundo os especialistas, cinco áreas vão ganhar relevância: o acesso a notícias através de IA, a necessidade de verificação de informação, alterações nas redacções causadas pela automação, o desenvolvimento de competências da equipa editorial para lidar com a tecnologia e as oportunidades para jornalistas de dados. 

A utilização de chatbots generativos, motores de busca e outras ferramentas de IA pelo público está a crescer, e muitas redacções vão responder focando-se na reputação da marca, em jornalistas de destaque e na voz editoria. Outras vão investir na eficiência produtiva ou fornecer interfaces de tipo chatbot aos leitores. 

A credibilidade é apontada como factor decisivo. Ezra Eeman, director estratégico do serviço público holandês NPO, sublinha que “para os editores, as opções são limitadas: adoptar assistentes de IA ou oferecer exclusividade e relevância além do resumo”. Os leitores vão exigir evidências e fontes confiáveis para validar a informação. 

O jornalismo visual também enfrenta desafios: imagens e vídeos sintéticos fotorrealistas podem dificultar a manutenção de padrões de qualidade, alerta o responsável pelo AI & Visual Strategy do jornal japonês Nikkei. O especialista defende a adopção de protocolos como o C2PA, ainda que lenta, para garantir a verificação e autenticidade do conteúdo digital. 

A automação de publicação é outra tendência. David Caswell, consultor do sector, lembra que “a automação de tarefas individuais trouxe eficiências, mas os limites estratégicos ficaram claros em 2025”. As redacções devem passar a utilizar modos de raciocínio dos agentes de IA, que permitem definir objectivos amplos e coordenar várias tarefas de forma integrada. 

A IA também vai permitir aos jornalistas processar grandes volumes de documentos, embora seja necessário um trabalho prévio significativo para organizar os dados, observa Martin Stabe, editor de dados do Financial Times

A monetização de conteúdos será um desafio crescente. Katharina Schell, editora chefe adjunta da Austria Presse Agentur, considera que “mesmo as empresas relutantes vão explorar acordos de conteúdos com plataformas de IA em 2026”, à medida que a tecnologia se integra cada vez mais na produção de media

O estudo do Reuters Institute sugere que 2026 será um ano de adaptação intensa, onde a IA promete transformar o jornalismo, mas exige investimentos em formação, infraestrutura e manutenção de padrões éticos e de credibilidade. 

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