Fusões no “JN” e “O Jogo” preocupam o SJ
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou “profunda preocupação” com a anunciada fusão das secções de desporto dos jornais Jornal de Notícias (JN) e O Jogo, ambos pertencentes actualmente ao Grupo Notícias Ilimitadas. A medida foi recentemente comunicada às redacções e o SJ já pediu uma reunião urgente às direcções de informação dos dois títulos.
Em comunicado, o sindicato alertou que esta fusão compromete “o pluralismo e a diversidade de dois títulos informativos autónomos e distintos, que têm contribuído, desde a sua existência, para a multiplicidade de visões e leituras da realidade informativa do país”. A entidade teme ainda que a alegada “sinergia” entre as secções represente um passo em direcção a cortes de postos de trabalho e a possíveis violações de direitos laborais.
O SJ enquadra esta situação num histórico recente de instabilidade laboral no sector da comunicação social. Recorda que, em Dezembro de 2023, os colaboradores de órgãos então sob administração do Global Media Group (GMG) fizeram greve contra uma proposta de despedimento colectivo que poderia afectar cerca de 150 pessoas. O protesto teve ainda como motivos o atraso no pagamento de salários, a falta de diálogo com a administração e a mudança forçada de instalações.
A venda dos títulos à Notícias Ilimitadas ficou concluída em Julho de 2024. No entanto, menos de um ano depois, em Maio de 2025, o novo grupo avançou com um programa de rescisões por mútuo acordo, justificando-o com a necessidade de “ajustar a estrutura de custos”.
O sindicato critica esta lógica de “fazer mais com menos”, considerando que a mesma não resolve os problemas estruturais das empresas de comunicação social e, pelo contrário, prejudica a qualidade da informação e coloca em risco os direitos dos colaboradores.
Por fim, o SJ alerta para os perigos da concentração mediática, que considera prejudicial à democracia, pois reduz a liberdade de escolha dos leitores e enfraquece a diversidade de perspectivas necessária a uma opinião pública informada. “É de liberdade e pluralidade que se faz o jornalismo”, conclui a nota do sindicato.