O “macaco digital” estava impreparado para a desinformação
O autor começa por chamar a atenção para o livro “The Digital Ape” (O Macaco Digital), de Nigel Shadbolt e Roger Hampson, que usa esta imagem para nos dar consciência de que, se os nossos impulsos básicos continuam a ser primitivos, “agora a tecnologia multiplicou assombrosamente as possibilidades”.
“E o resultado, para já, é bastante negativo. A qualidade da informação derreteu-se num mundo povoado por notícias falsas, manipulação e estupidez incontável. Esta primeira selfie da humanidade tecnologicamente ampliada mostra-nos a imagem preocupante de um símio perplexo e desorientado. Há evidência crescente do efeito produzido pelas notícias falsas, a desinformação, o conteúdo tendencioso e a instigação ao ódio que abundam nas redes sociais.” (...)
Miguel Ormaetxea cita, de passagem, outros autores, como Javier Marías, que afirma que temos condições para nos tornarmos “uma sociedade opressora, linchadora e tirânica”; Jaron Xavier, que define as empresas das redes sociais como “impérios de modificação do comportamento”; e Henrique Dans, que avisa que as nossas mensagens instantâneas não são “tão inocentes nem tão pessoais”. (...)
E conclui:
“A tecnologia é, de certo modo, como as armas, que são cada vez mais eficazes, mas não devem ser deixadas ao alcance de todos, muito menos nas mãos de um macaco digital.”
O artigo citado, em Media-tics, e mais informação sobre o livro apresentado em The Guardian