Grupo Axel Springer “emagrece” o “Daily Telegraph”
O Daily Telegraph iniciou um processo de despedimentos que, segundo fontes internas da redacção, poderá atingir até cem pessoas. A notícia foi dada numa reunião geral e por e-mail, onde os colaboradores ouviram também que o título passará a depender cada vez mais de tecnologia, dados e inteligência artificial.
A administração descreve o objectivo como a passagem de jornal a “negócio global de media premium e inteligência impulsionado pela IA”. A CEO, Carolin Hulshoff Pol, escreveu aos colaboradores que o “próximo capítulo” passa por novas fontes de receita: vídeo, áudio, palavras cruzadas, eventos, B2B, licenciamento, comércio e novos produtos. Pol referiu ainda a expansão internacional do público, sobretudo em assuntos internacionais, defesa e negócios.
Alguns jornalistas souberam da sua saída ainda antes do anúncio, outros foram contactados por telefone e e-mail mais tarde. Segundo relatos, vários quadros seniores terão ficado emocionados ao dar a notícia às suas equipas. As secções de cultura e desporto terão sido das mais afectadas.
O Telegraph foi adquirido em Junho pela Axel Springer por 575 milhões de libras, pondo fim a três anos conturbados. Nesse período, potenciais compradores foram travados, desistiram ou enfrentaram forte oposição interna. O jornal integra agora um grupo que inclui os alemães Bild e Die Welt e os títulos digitais Politico e Business Insider.
Mathias Döpfner, CEO e accionista de controlo da Axel Springer, disse querer investir no jornal para o tornar o principal veículo de media de centro-direita no mundo anglófono. Os cortes eram esperados, depois de uma consulta interna feita nas últimas semanas sobre o futuro da empresa.
Na mensagem aos jornalistas, Pol afirmou que, durante o longo processo de venda, o Telegraph teve capacidade limitada para investir e acompanhar o mercado. Defendeu uma organização mais simples, com decisões mais rápidas e maior transparência na prestação de contas.
(Créditos da imagem: Historic Newspapers)