O futuro da Visão voltou a ficar em risco devido ao processo de insolvência da Trust in News (TiN), empresa proprietária da revista. O director, Rui Tavares Guedes, disse ao M&P que a situação não resulta da falta de leitores nem de dificuldades económicas que impeçam a continuidade da publicação, mas de um processo que classifica como “absolutamente labiríntico”. 

A TiN, que detinha 16 revistas, foi declarada insolvente em Dezembro de 2024. O plano apresentado pela empresa foi aprovado pelos credores, mas o tribunal recusou a homologação em Julho de 2025 e determinou o encerramento da actividade e a liquidação dos activos. 

A decisão foi revertida pelo Supremo Tribunal de Justiça que, em Março de 2026, homologou o plano de insolvência, retirando uma cláusula sobre os direitos dos credores relativamente aos avalistas. O acórdão suspendeu a venda dos títulos e abriu caminho à execução do plano do accionista Luís Delgado, que prevê uma injecção máxima de 1,5 milhões de euros. 

Segundo o diretor da Visão, as condições em que o plano foi concebido já não correspondem à realidade. A TiN encerrou a actividade em Outubro de 2025 e despediu 80 trabalhadores, e a maioria das publicações deixou de ser editada. Rui Tavares Guedes questiona como se pode executar um plano sem trabalhadores e sem títulos. Luís Delgado, contactado pelo M&P, não se pronunciou publicamente. 

A Visão continuou a ser produzida por uma equipa reduzida de jornalistas. Apesar das dificuldades, o director garante que as vendas subiram ao longo do último ano e fala numa comunidade de leitores que incentiva a equipa a continuar. 

Dois caminhos para evitar o fecho 

Rui Tavares Guedes identifica duas possibilidades. A primeira é Luís Delgado reconhecer perante o tribunal que não tem condições para executar o plano, o que permitiria retomar a liquidação e levar os títulos a leilão. 

A segunda passa por uma intervenção do Estado, através dos principais credores públicos da TiN, a Autoridade Tributária e a Segurança Social, que poderiam encerrar definitivamente a empresa e levar os títulos e o restante património a leilão. 

O objectivo dos jornalistas continua a ser comprar a Visão em leilão. Em Janeiro, lançaram a campanha de angariação de fundos “Não Fechem Os Olhos”, que reuniu 200 mil euros, e constituíram uma sociedade para tentar concretizar a compra. 

(Créditos da imagem: Visão)