O Novaya Gazeta, título de referência da imprensa independente na Rússia, anunciou o seu encerramento, que atribui à censura e à pressão das autoridades russas. O jornal vai terminar a actividade no início do próximo mês. 

“O Novaya Gazeta deixa de existir. (...) As autoridades russas, os serviços especiais russos, obrigaram a redacção a encerrar a actividade”, afirmou o editor-chefe, Serguei Sokolov, numa declaração publicada nas redes sociais. 

O jornal, conhecido pelas investigações sobre corrupção e cujo antigo chefe de redacção, Dmitri Muratov, recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2021, acusou as autoridades de o terem “matado”. No portal oficial, a publicação afirmou que a 9 de Novembro “apagará a luz” na casa onde viveu durante 30 anos. 

As autoridades russas confiscaram em 2022 a licença do jornal para publicar em papel ou na internet. Os membros da redacção que continuavam a trabalhar para apoiar um portal semelhante no estrangeiro relatam que, depois de mais de 30 anos “ao lado do país e dos cidadãos”, foram “atirados para a rua”, sem meios de subsistência e sob ameaça constante de repressão. 

Além de expulsarem o Novaya Gazeta da sede, as autoridades desactivaram o sistema de donativos que permitia receber contribuições dos leitores. “Privaram-nos de recursos. Completamente”, denunciou a redacção, que fala numa acção coordenada por agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB) “que se infiltraram em todas as organizações”. 

A redacção acusa ainda o Governo russo de reintroduzir a censura, bloquear a publicação por todos os meios, confiscar a gráfica e impedir qualquer possibilidade de publicação. 

Na nota, o jornal recorda que Muratov foi atacado e ficou quase cego. Não foram apresentadas acusações criminais, apesar de os autores serem conhecidos. Depois, os jornalistas do título começaram a ser rotulados como “agentes estrangeiros”. 

Segundo o jornal, foi durante o actual regime que vários colegas foram assassinados por motivos políticos, “por cumprirem o dever profissional e cívico”. 

(Créditos da imagem: Novaya Gazeta Europe)