Casa Branca mantém “dança das cadeiras” e restrições a jornalistas
Os jornalistas da CNN, da MS NOW (antiga MSNBC) e do "Politico" voltaram a ter acesso à Casa Branca, depois de lhes ter sido negada a entrada apesar de uma ordem judicial que determinava o restabelecimento das suas credenciais.
Posteriormente, a Casa Branca voltou a ser selectiva no acesso de jornalistas durante a visita do presidente Xi Jinping a Washington, tendo sido também negada a inclusão dos mesmos profissionais a bordo do Air Force One numa deslocação de Trump ao Tennessee.
Recorde-se que o acesso foi reposto depois de os três órgãos de comunicação social terem pedido uma audiência de urgência ao juiz federal Timothy Kelly, do Tribunal Distrital de Washington DC, alegando que os serviços secretos da Casa Branca tinham confiscado as acreditações de vários dos seus profissionais, entre eles a repórter da CNN Betsy Klein e um fotojornalista da estação, impedidos de entrar no recinto.
Em comunicado citado no seu site, a CNN confirmou ter sido "autorizada a regressar à Casa Branca" depois de o juiz ter ordenado à administração Trump que restabelecesse, de forma temporária, o acesso da estação. A MS NOW e o "Politico" confirmaram, entretanto, situação idêntica para os seus jornalistas.
O impasse remonta à semana passada, quando Donald Trump anunciou o veto aos três órgãos de comunicação social, acusando-os de divulgarem "notícias falsas" e, mais tarde, de colocarem em risco a segurança nacional através das suas reportagens. Em resposta, a CNN, a MS NOW e o "Politico" apresentaram, em conjunto, uma queixa por violação da Primeira Emenda da Constituição norte-americana.
Os advogados das três organizações contestaram, em particular, a justificação de segurança nacional invocada pela Casa Branca, sublinhando que as primeiras declarações públicas de Trump sobre o assunto se centravam antes na alegada falsidade ou no teor negativo das notícias publicadas.
O processo argumenta ainda que a retirada das credenciais constituiu uma retaliação pelo conteúdo editorial das três organizações e que os jornalistas visados não foram notificados previamente nem tiveram oportunidade de contestar a decisão.
Perante estes argumentos, o juiz Timothy Kelly decidiu a favor dos meios de comunicação social, considerando que a proibição tinha sido aplicada "sem o devido processo legal". A ordem de emergência, com carácter temporário, mantém-se em vigor até 8 de Outubro, garantindo o acesso dos três órgãos à Casa Branca "até que o tribunal emita outra ordem ou até que a medida caduque".
O caso gerou também um gesto de solidariedade por parte de outras estações de televisão. Na sequência do veto imposto pela Casa Branca, a CBS, a ABC, a NBC e a Fox News decidiram suspender a sua participação no sistema de partilha de imagens. Nenhuma das estações — incluindo a Fox News, a CNN e a MS NOW — transmitiu em directo as imagens da recepção de Donald Trump ao presidente chinês Xi Jinping, nos arredores de Washington.
(Créditos da imagem: Unsplash)