O Washington Post recua nos despedimentos anunciados e tenta corrigir impacto
O Washington Post está a tentar corrigir o impacto de uma das maiores reestruturações da sua história recente. Depois de, em Fevereiro, ter anunciado despedimentos em massa que afectariam cerca de 350 trabalhadores, a administração do jornal norte-americano começou agora a adiar algumas dessas saídas e, em vários casos, a tentar trazer de volta profissionais que tinham sido dispensados.
Inicialmente, os colaboradores abrangidos pelos cortes receberam propostas de indemnização, que teriam de ser aceites até 10 de Abril, com os pagamentos previstos para depois de 30 de Abril. Contudo, nas semanas seguintes, vários editores contactaram antigos membros das suas equipas para lhes propor um regresso temporário, através de um mecanismo informalmente descrito pelo sindicato como “despedimento adiado”.
Segundo Kathleen Floyd, dirigente sindical da Washington-Baltimore News Guild, pelo menos quinze jornalistas despedidos receberam discretamente propostas para prolongar as suas funções até ao Verão, podendo depois ser recolocados noutras vagas, caso surjam oportunidades compatíveis. Embora a administração rejeite ter prometido empregos permanentes, já houve pelo menos três recontratações a tempo inteiro, incluindo uma na secção de opinião.
De acordo com fontes internas, o problema da empresa terá sido agravado por um número significativo de saídas voluntárias após o anúncio dos despedimentos, criando mais vagas do que o inicialmente previsto.
Alguns editores intermédios estarão a pressionar a direcção para recuperar o maior número possível de repórteres, sobretudo em secções particularmente afectadas, onde os cortes obrigaram a redefinir por completo prioridades editoriais e métodos de trabalho. Entre os nomes que regressaram ou foram convidados a regressar encontram-se jornalistas especializados em clima, tecnologia, assuntos internacionais e desporto.
Especialistas em direito laboral sublinham que recontratações após despedimentos não violam necessariamente regras legais ou sindicais, desde que respeitem os acordos colectivos.
Para muitos dentro da redacção, o episódio reforça uma percepção de instabilidade. Além das consequências humanas, os cortes já levantaram preocupações sobre diversidade editorial e capacidade de cobertura. A estratégia da administração, que procurava reorganizar o jornal, está agora sob escrutínio não apenas pelos despedimentos em si, mas pela aparente falta de planeamento que obrigou a reconsiderar decisões poucas semanas depois.
(Créditos da imagem: Washington Post_Graeme Sloan/Sipa USA/AP)