Robustez financeira da Media Capital em vantagem
A comparação entre a Impresa e a Media Capital, com base nos resultados de 2025, revela uma vantagem operacional para a dona da SIC, mas maior robustez financeira para a dona da TVI.
Do lado da actividade, a Impresa apresentou melhores indicadores. O Grupo registou receitas de 181,8 milhões de euros e um EBITDA de 18,8 milhões, com uma margem de 10,3%. Já a Media Capital ficou abaixo, com 172,36 milhões de euros em receitas e um EBITDA de 14,18 milhões, além de uma quebra significativa na rentabilidade face ao ano anterior. Também nas audiências, a Impresa manteve uma posição competitiva, com a SIC e o seu universo de canais a registarem quotas relevantes.
Apesar disso, é no balanço que a diferença se torna mais evidente. A Media Capital fechou 2025 com uma dívida líquida de apenas 28,7 milhões de euros, contrastando com os 126,9 milhões da Impresa. Este factor dá ao grupo da TVI uma maior margem de manobra financeira à entrada de 2026.
Além disso, a Media Capital mantém a capacidade de remunerar accionistas, distribuindo dividendos, mesmo num ano de quebra de resultados líquidos. A Impresa, por seu lado, regressou aos lucros (1,2 milhões de euros), mas continua condicionada pelo esforço de redução da dívida.
A recente entrada da MediaForEurope no capital da Impresa, com uma participação próxima da Impreger, trouxe capital e potencial reforço estratégico. Ainda assim, o acordo parassocial mantém o controlo na esfera da família Balsemão e não altera o principal desafio do Grupo: o elevado endividamento.
Em síntese, a Impresa entra em 2026 com melhor desempenho operacional e sinais de recuperação, enquanto a Media Capital apresenta uma estrutura financeira mais leve e estável. Entre crescimento e solidez, é esta última que, para já, oferece maior protecção num contexto de incerteza no sector dos media.
(Créditos da imagem: Unsplash)