EUA restringem duração de vistos para jornalistas
A administração de Donald Trump apresentou uma proposta de regulamentação que visa restringir a duração dos vistos concedidos a estudantes internacionais, participantes de programas de intercâmbio cultural e jornalistas estrangeiros. A medida insere-se numa repressão mais ampla à imigração legal promovida desde o início do mandato do presidente republicano.
Publicado recentemente, o projecto de regulamentação propõe a fixação de prazos máximos para os vistos F, destinados a estudantes, os vistos J, para visitantes em intercâmbio cultural, e os vistos I, atribuídos a membros da comunicação social estrangeira. Actualmente, estes vistos são válidos pela duração do programa ou do emprego nos Estados Unidos, mas, com a nova proposta, essa flexibilidade seria eliminada. Os estudantes e intercambistas teriam um limite de quatro anos, enquanto os jornalistas teriam o visto limitado a 240 dias (no caso de jornalistas chineses, o prazo seria encurtado para apenas 90 dias).
Segundo o governo americano, havia em 2024 aproximadamente 1,6 milhões de estudantes estrangeiros nos EUA com vistos F, além de 355 mil visitantes de intercâmbio e cerca de 13 mil membros da imprensa estrangeira em actividade. A proposta prevê que os titulares de visto poderão solicitar prorrogações, mas estas não seriam automáticas.
O Departamento de Segurança Interna justificou a proposta afirmando que a mudança é necessária para “monitorizar e supervisionar” os titulares de vistos durante a sua estadia nos Estados Unidos, no âmbito de um esforço mais amplo para reforçar os mecanismos de controlo sobre a imigração. Esta iniciativa reflecte uma proposta anterior de 2020, apresentada no fim do primeiro mandato de Trump, mas retirada em 2021 pelo governo de Joe Biden.
A China reagiu com críticas à medida, especialmente à parte que afecta os seus jornalistas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês declarou que se opõe “às práticas discriminatórias adoptadas pelos EUA contra países específicos”.
Organizações da sociedade civil também demonstraram resistência. A NAFSA, que representa educadores internacionais em mais de 4300 instituições no mundo, opôs-se firmemente à proposta em 2020 e voltou a criticar a reintrodução da mesma, apelando à sua retirada.