No Reino Unido, o aparecimento de um novo jornal chamado “The Light” tem gerado acesa controvérsia.

A polémica envolta neste novo jornal é agora analisada num artigo publicado no Columbia Journalism Review, de Jem Bartholomew.

De acordo com o autor, o jornal propaga teorias da conspiração, alegando que eventos como a covid-19 e a guerra na Ucrânia são resultado de uma elite global que busca impor uma nova ordem mundial. O jornal, distribuído por voluntários, apresenta uma visão alternativa da realidade, questionando narrativas estabelecidas sobre diversos tópicos.

“Oferece aos leitores uma visão simples da realidade: as coisas más do mundo, como a covid ou a guerra na Ucrânia, podem ser explicadas por uma cabala de elite que pretende impor uma nova ordem mundial”, escreve Bartholomew.

"The Light" apresenta um formato semelhante aos jornais convencionais, com um logotipo "arrojado", segundo Bartholomew, e conteúdo visualmente atraente e manchetes provocadoras – como "A OMS quer governar o mundo"; “A democracia é uma experiência falhada" ou "As vacinas estão associadas a convulsões". 

O jornal procura envolver os seus leitores, encorajando-os a questionar os meios de comunicação tradicionais e a realizarem a sua própria pesquisa. Nas suas palavras, afirma fornecer "a verdade sem censura".

“Uma pesquisa realizada em 2021 revelou que 25% de todos os artigos estavam relacionados com conspirações. The Light publicou artigos do blogger nazi Lasha Darkmoon (segundo o qual as elites fazem uma lavagem cerebral às pessoas para que não questionem o Holocausto) e recomendou um livro do autor Eustace Mullin (que também escreveu Adolf Hitler: An Appreciation)”, denuncia Bartholomew. 

O fundador e editor, Darren Smith, defende a importância de questionar a narrativa oficial, argumentando que o jornal oferece uma visão emocionante e alternativa. 

"The Light" publica até cem mil exemplares por mês, financiados por anúncios e assinantes.

"Isso dá-lhe talvez um brilho de legitimidade que não teria se fosse apenas uma revista online", afirmou David Lawrence, investigador da instituição contra o extremismo de direita HOPE Not Hate. 

Darren Smith, o fundador e editor, disse, em declarações à BBC, que estava “acordado há dez anos". Segundo Smith, ler o jornal "deve ser excitante para as pessoas, não temos de aceitar o que a BBC nos diz, não temos de aceitar o que é a narrativa oficial" – em tópicos como "ciência, história, geografia, cosmologia, etc., saúde, etc.". 

A análise do artigo sugere que o apelo das teorias da conspiração, como as promovidas por "The Light", reside na oferta de conforto psicológico em tempos de incerteza, enquanto também procura a participação activa dos leitores – e compara-o a outros movimentos conspiracionistas, como o QAnon.

De relembrar que apenas 40% das 93 mil pessoas inquiridas a nível mundial afirmaram confiar nas notícias, segundo o Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters. 

No artigo, Bartholomew também destaca a preocupação de grupos como o Community Solidarity Stroud District (CSSD) em relação à popularidade do jornal, equiparando-o à ascensão do fascismo. O CSSD procura contrariar os argumentos do "The Light" com factos, argumentos e provas.