A IA, está em destaque nos media. Na mesma época em que o ChatGPT foi lançado, o CNET, um site de notícias sobre tecnologia, discretamente começou a publicar artigos escritos com a ajuda de inteligência artificial. Um aviso no site garantiu aos leitores que todos os artigos eram verificados por editores humanos, mas, como o Futurism relatou posteriormente, muitas das peças da CNET escritas pelo software de IA alem de conterem erros, em alguns casos eram plagiadas.

Depois desses relatórios serem divulgados, a Red Ventures proprietária da CNET e de várias outras publicações on-line, deu ordem para interromper o programa de utilização do software de IA, que estava a ser desenvolvido internamente.

Entretanto, em sentido contrário, o Arena Group, que publica a Sports Illustrated entre outras revistas, está neste momento a usar a IA para gerar artigos e ideias para artigos. De acordo com o Wall Street Journal, a Arena não pensa substituir jornalistas por IA, mas “apoiar fluxos de trabalho de conteúdo, criação de vídeo, boletins informativos, conteúdo patrocinado e campanhas de marketing”, de acordo com Ross Levinsohn, CEO e ex-editor do Los Angeles Times.

O BuzzFeed, por sua vez, disse que pretende usar o software da OpenAI, para desenvolver questionários e personalizar o conteúdo para os leitores. Depois que a notícia foi divulgada, as acções do BuzzFeed mais do que duplicaram o seu valor, um movimento “que lembra a mania das criptomoedas e do blockchain cinco anos atrás, quando as acções de uma empresa subiam quando anunciavam uma possível parceria ou entrada no sector”, afirmou a Bloomberg.

Jonah Peretti, CEO do BuzzFeed, declarou que o uso da IA não se tratava de “redução do local de trabalho”, a empresa “permanece focada no jornalismo gerado por humanos”.

O autor salienta que, o uso de software de IA para criar jornalismo não começou com o ChatGPT. A Associated Press tem usado IA para escrever relatórios de lucros corporativos desde 2015, já que tais relatórios costumam ser tão estereotipados que não requerem intervenção humana.

Revelou ainda que a AP, também pediu recentemente ao ChatGPT que escrevesse o discurso do presidente sobre o Estado da União, no estilo de várias figuras históricas, incluindo Shakespeare, Aristóteles, Mahatma Gandhi e Cleópatra. O Yahoo e vários outros editores de conteúdos têm usado, há vários anos, ferramentas semelhantes à inteligência artificial para gerar resumos de jogos e relatórios financeiros.

Embora a prática não seja nova, a popularidade do ChatGPT e a qualidade da sua produção levaram a um renovado debate sobre o potencial do impacto da AI no jornalismo. Jack Shafer, colunista do Politico, é relativamente optimista sobre as possibilidades de software de conteúdo com inteligência artificial para melhorar o seu trabalho.

O jornalismo “existe para servir os leitores. Se a IA ajudar as redacções a atender melhor os leitores, devemos dar as boas-vindas à sua chegada.” No entanto, o autor afirma que “isso será difícil se a tecnologia também levar a perdas generalizadas de empregos” e cita Max Read, ex-editor do Gawker, que declarou recentemente: “Qualquer história que você ouve sobre o uso de IA é [fundamentalmente] uma história sobre automação do trabalho, seja adicionando ferramentas que possam ajudar os jornalistas a fazer mais com menos ou substituindo humanos completamente”.

De facto, aqueles que temem a ChatGPTização do jornalismo não vêem essa transformação tecnológica apenas como um problema de direitos do trabalho. Kevin Roose, do New York Times, descreveu o conteúdo gerado por IA como “jornalismo de carne de fraca qualidade”, enquanto outros o classificam como, “uma simulação de jornalismo que não corresponde à realidade”.

Especialistas, apontam que a maior falha dum “grande modelo de linguagem” como o ChatGPT, é que, embora seja capaz de imitar a escrita humana, não tem uma compreensão real do que está a escrever e, portanto, frequentemente insere erros e fantasias que alguns chamam de “alucinações”. Ingram, cita Gary Marcus, professor de psicologia e neurociência na Universidade de Nova York, que comparou esse tipo de software a “uma máquina gigante de preenchimento automático”.

Embora existam algumas razões óbvias para nos preocuparmos com o impacto do software de IA no jornalismo, parece um pouco cedo para dizer definitivamente se é bom ou mau.

O ChatGPT parece concordar: quando o autor pediu para descrever o seu impacto na indústria dos media, o programa respondeu à questão num bom estilo jornalístico: “O ChatGPT tem o potencial de impactar a indústria de media de várias maneiras [porque] pode gerar texto semelhante ao humano, reduzindo potencialmente a necessidade de escritores humanos”, escreveu. “Mas também pode levar à perda de empregos e preocupações éticas”, “afirmou” a AI do ChatGPT.