O Sudão passou a contar com Sindicato de Jornalistas independentes
Celebrou-se, a 29 de Agosto de 2022, a criação do primeiro Sindicato de Jornalistas no Sudão, após 33 anos de ameaças à imprensa, sob a presidência de Omar Al-Bashir.
A 27 de Agosto, 1314 jornalistas elegeram Abel Abou Idriss, correspondente da AFP em Cartum, para chefiar uma direcção.
A própria votação é algo incomum no país, já que enfrentou uma ditadura até 2019, sem eleições livres há mais de 30 anos. Para Mohamed Abdelaziz, membro do sindicato, este “é um grande passo para a construção do Estado civil e democrático a que o povo sudanês aspira", cita o Le Monde, em conjunto com a AFP.
Apesar desta conquista para a liberdade de imprensa no país, Hend Helmy, um professor assistente na Universidade de Cartum, chama a atenção para a necessidade de adaptação e treino por parte dos profissionais. Isto porque, durante um período alargado, os jornalistas foram presos e houve o confisco de edições completas por não obedecerem ao regime.
Ainda hoje, existe uma organização de jornalistas “subservientes do governo”, que publica comunicados, considerando este Sindicato como uma “união ilegítima”.
Setembro 22
Também, nos meses de Outubro de 2021 e Março de 2022, a ONG Euro-Med Monitor relatou 55 ataques a jornalistas e a meios de comunicação social, desde detenções, perseguições, agressões ou rusgas.
Por isso, ainda que se tenha verificado algum avanço quanto à liberdade de imprensa no Sudão, existem ainda ameaças e perigos a ter em conta. No “Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa”, elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Sudão encontra-se no 151º lugar, tendo sido analisados 180 países.
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