Relatório do Obercom analisa os novos hábitos de consumo noticioso
A digitalização das notícias fez-se acompanhar de novos hábitos de consumo, já que os leitores começaram a abandonar os jornais em formato impresso, passando a dar prioridade aos "sites" de notícias e às redes sociais.
Apesar de existirem diversos estudos norte-americanos sobre estas tendências, poucos relatórios reflectem a realidade portuguesa, bem como as preferências destes cidadãos.
Por isso mesmo, o Obercom baseou-se em dados Reuters Digital News Report, desde 2015 a 2021, com o objectivo de explorar as diferentes formas como os portugueses acedem a notícias “online”, através de diversos dispositivos.
Desta forma, o Obercom pretende fazer uma previsão sobre o futuro dos “media” em Portugal, ajudando, igualmente, as publicações jornalísticas a adaptarem os seus conteúdos e as suas estratégias.
Assim, o Obercom detectou que, nos últimos anos, as principais formas de acesso a notícias “online” têm sofrido alterações em termos de importância. Isto porque, agora, o acesso directo tende a assumir um papel secundário, relativamente aos motores de pesquisa e às redes sociais.
O estudo destaca, neste sentido, que os jovens portugueses tendem a aceder a notícias através de motores de busca em maior proporção do que a generalidade dos inquiridos do Digital News Report 2021, numa razão de 33% para 28%.
Agora, em Portugal, o espectro do acesso a notícias pelos portugueses é dominado, em primeiro lugar, pelos motores de pesquisa (28,4%), em segundo, pelas redes sociais (24%) e, em terceiro, pelo acesso directo a notícias (20,0%).
De acordo com o relatório, esta posição dominante sobre a distribuição de conteúdos informativos “online,” por parte das plataformas, foi conseguida através da captação da atenção dos utilizadores.
Além disso, outra das consequências da digitalização do mercado mediático foi o aumento do recurso a dispositivos móveis para a leitura de notícias.
Novembro 21
Em Portugal, o “smartphone” é o dispositivo através do qual os portugueses acedem às notícias, com o computador a assumir um papel secundário, e o “tablet” a manter um contributo residual.
Tudo isto veio, também, alterar os modelos de negócio das empresas jornalísticas, que tiveram de apostar em novos tipos de conteúdo, como forma de continuar a gerar receitas e a assegurar a sua sustentabilidade financeira.
Não obstante, a nível internacional observam-se vários exemplos de marcas noticiosas tradicionais que conseguiram reconfigurar, com sucesso, a sua política editorial e receita financeira, como é o caso do “Guardian” ou do “New York Times”.
Destaca-se, neste âmbito, a aposta em “newsletters”, “podcasts” e artigos multiplataforma.
Perante estas informações, e considerando que os jovens portugueses estão cada vez mais investidos nas novas tecnologias, o Obercom ressalva que o “smartphone” deverá continuar a reforçar a sua importância, já que este dispositivo permite uma conexão mais rápida e eficaz.
Além disso, é provável que os motores de pesquisa e as redes sociais mantenham a liderança enquanto principais plataformas de acesso às notícias.
Por isso mesmo, conclui o relatório, as apostas dos “media” portugueses deverão continuar a adaptar os seus produtos, para que estes sejam compatíveis com as preferências dos consumidores.
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