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Estudo

Desconfiança nas notícias como resultado de factores sociais

Um dos principais desafios do jornalismo para a construção da confiança nas notícias não é a hostilidade, mas a indiferença do público relativamente à informação , revelou um relatório do Reuters Institute, citado por Camila MontAlverne num artigo publicado do “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria. Segundo apontou MontAlverne, este estudo baseou-se em testemunhos recolhidos no Brasil, Índia, Estados Unidos e Reino Unido, com aproximadamente, dois mil entrevistados em cada país. Desta forma, o Reuters Institute concluiu que, por norma, os cidadãos que mais desconfiam das notícias são, também , aqueles que menos interesse têm em assuntos cruciais para a vida em sociedade, como a actividade política. Além disso, a desconfiança perante fontes noticiosas relaciona-se, igualmente, com menores níveis de educação académica, e maior distanciamento de centros urbanos. Ademais, indica o estudo citado por Camila MontAlverne, os indivíduos que mais desconfiam dos “media” dizem prestar pouca atenção aos métodos utilizados por jornalistas, ou às práticas editoriais. Outras das características comuns a estes cidadãos são a desvalorização da liberdade de expressão, bem como um maior nível de tolerância perante práticas de censura governamentais.Do outro lado do espectro, continua o estudo, estão os cidadãos que mais confiam nas notícias. Quando é este o caso, os indivíduos tendem a entender as práticas básicas do jornalismo, a valorizar as fontes utilizadas para a redacção de artigos noticiosos, assim como a transparência de todo o processo. Com isto, MontAlverne ressalva que, tendencialmente, a descrença nas notícias está relacionada com factores sociais, e não com o trabalho desenvolvido pelos “media”.Imagem recolhida em "Daily Bruin"
Setembro 21
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