Relatório dos RSF confirma risco agravado para jornalistas precários
A cobertura jornalística e as investigações sobre política, corrupção e crime organizado realizadas em pequenas e médias cidades do Brasil, Colômbia, Honduras e México estiveram na origem de 139 assassinatos de profissionais da imprensa, entre 2011 e 2020, revelou um relatório dos Repórteres sem Fronteiras.
As informações foram recolhidas no âmbito do desenvolvimento do projecto “Baixo Risco – Análise dos programas de protecção a jornalistas na América Latina” realizado pelos RSF, com o apoio da Unesco e do Fundo Mundial de Defesa dos “Media”.
Embora no início do projecto não estivesse prevista a publicação de relatórios temáticos antes do estudo final, os dados encontrados até agora são relevantes para o sector, explicou Bia Barbosa, coordenadora do projecto, citada pelo “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
“Quando iniciámos o projecto não havia previsão de fazer publicações durante o processo de pesquisa, mas […] quando começámos a estudar um pouco o contexto e a situação de risco — sobre os comunicadores que estão mais vulneráveis à violência— achámos interessante publicar”, disse Barbosa.
Segundo resumiu o “Observatório da Imprensa”, basendo-se na pesquisa dos RSF, os profissionais mais vulneráveis são, surpreendentemente, do sexo masculino e habitam em cidades de pequenas dimensões.
“Estes números não coincidem, necessariamente, com o ‘cliché’ popular do jornalista de investigação, que trabalha para um grande jornal de uma capital e que é assassinado por revelar informações de relevância nacional”, revelam os RSF.
“Pelo contrário: na sua maioria, os jornalistas assassinados no Brasil, México, Colômbia e Honduras, entre 2011 e 2020, viviam longe de grandes centros urbanos, muitas vezes trabalhavam em situações precárias, para diversos meios de comunicação e cobriam questões que afectavam as autoridades locais e populações”.
Junho 21
Além disso, a maioria dos crimes registados apresenta um “modus operandi” semelhante: em 58% dos casos, os jornalistas foram perseguidos pelos agressores e mortos por assassinos profissionais.
Ademais, um em cada quatro jornalistas foi sequestrado antes de ser assassinado. A maioria dos cadáveres foi encontrada com sinais de tortura e, em alguns casos, mutilações.
De acordo com o “Observatório da Imprensa”, uma das constatações mais relevantes é que pelo menos 45% das vítimas “relataram ter recebido ameaças”. No entanto, apenas 16% receberam algum tipo de protecção.
Agora, os RSF pretendem iniciar acções de sensibilização, para que os governos da América Latina estejam mais atentos aos crimes cometidos contra jornalistas. Estas medidas deverão passar por “actividades de advocacia política”.
De momento, grande parte do projecto está a ser realizado virtualmente, com a ajuda de correspondentes dos RSF, que estão a enviar questionários aos responsáveis pela implementação de mecanismos de protecção.
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