Assédio de jornalistas “online” como tema a debater
Os estudantes de jornalismo deverão começar a aprender técnicas de defesa contra abusos “online”, de forma a estarem preparados para enfrentar assédio de leitores e de “trolls” digitais, segundo um estudo publicado no “Journal of the Association for Journalism Education”.
De acordo com este estudo, que contou com a participação de 13 jornalistas, os abusos “online” têm vindo a tornar-se “mais comuns, mais cruéis e mais sérios”, o que poderá levar alguns jovens a desistirem, prematuramente, da profissão.
Laura Collins, uma das jornalistas entrevistadas, explicou a importância de abordar esta realidade junto dos jovens. “Não queremos que as jovens mulheres se afastem de posições com visibilidade pública, por estarem preocupadas com as repercussões”.
“Isso não pode ser bom quer para o debate público, quer para a democracia”, rematou.
Já Jenna Thomson, do Grupo Reach, disse que passou a alertar para possíveis casos de assédio digital em entrevistas de emprego, embora isso a entristeça.
“Acho que o jornalismo é uma profissão fantástica. Nunca quero dizer nada numa entrevista que torne este trabalho menos apetecível”, afirmou. “Contudo, durante o último ano, achei que era importante abordar este assunto mesmo antes de os jovens assumirem funções, para que saibam o que devem esperar, dizer-lhes que os apoiamos, e também para saber o que sentem sobre o assunto”.
Da mesma forma, a jornalista Katie Ridley considera importante desenvolver novas acções de formação. “É preciso falar sobre o assunto antes de ingressar na profissão, debater sobre como lidar com abusos, porque estes casos acontecem mais frequentemente do que eu esperava”.
Maio 21
Posto isto, o estudo deixou, igualmente, algumas recomendações para jornalistas que queiram proteger-se deste tipo de abusos.
Em primeiro lugar, o relatório informa que, no âmbito das redes sociais, os profissionais devem ter uma conta profissional e outra pessoal, evitando misturar os dois mundos. Além disso, devem aproveitar estas plataformas para partilhar conteúdos sobre ética e solidariedade profissional.
Ademais, o estudo encoraja a utilização de ferramentas de silenciamento de “trolls” e a desligar as redes sociais fora do horários de trabalho.
Outras das recomendações passam por responder a comentários de forma factual, reportar abusos e falar com amigos e familiares.
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