O Conselho de Administração (CA) da Lusa anunciou que vai alterar e clarificar o clausulado dos contratos dos delegados internacionais da agência, na sequência das "dúvidas e sugestões de melhoria" apresentadas pelos próprios e pela direcção de informação. 

Em comunicado, o CA refere que estão em causa propostas de alteração em matérias de avaliação de desempenho e de clarificação das actividades não editoriais, nomeadamente na gestão corrente das delegações. Depois de ouvir delegados e direcção de informação, a administração diz que vai produzir um documento final. 

A administração explica que se tem reunido nos últimos meses com a direcção de informação (agora cessante) e com os delegados, acolhendo sugestões tanto à minuta inicial, que suscitou mais dúvidas deontológicas, como à última, partilhada a 2 de Outubro com a comissão parlamentar de Comunicação, Cultura, Juventude e Desporto, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) e as estruturas representativas dos trabalhadores. 

O CA lamenta que estas questões contratuais internas, em debate nos fóruns próprios, tenham sido divulgadas no espaço público "de forma inusitada". Considera ainda que o reforço da rede internacional e regional tem sido alvo de acusações infundadas de interferência editorial. Reconhece que o debate parlamentar sobre os estatutos e a composição do Conselho Consultivo, a suspensão das conversações para rever o Acordo de Empresa e as reivindicações salariais geram preocupação e incerteza, mas diz acreditar que o bom senso e a paz social irão prevalecer. 

Os elementos eleitos do Conselho de Redacção (CR) denunciaram a 29 de Setembro, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, os termos do contrato de deslocação assinado por jornalistas com funções de chefia de delegação no estrangeiro. A CCPJ veio, entretanto, considerar que o contrato tem cláusulas "incompatíveis com o exercício da profissão de jornalista". 

Na sexta-feira anterior, o CA enviou aos membros eleitos do CR uma minuta de contrato de delegado internacional que, segundo o CR, é um documento diferente do contrato assinado, que foi denunciado na Assembleia da República. Em reunião, o CA informou a comissão de trabalhadores de que a minuta, também enviada ao parlamento e à CCPJ, é a de um novo contrato, corrigido, segundo um comunicado da CT. 

A directora de informação, Luísa Meireles, anunciou à redacção que deixaria o cargo, após aceitar uma proposta de saída do CA, considerando que a situação se teria tornado insustentável "ao longo do tempo". 

Os directores adjuntos, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, informaram ter aceitado o pedido do CA para assumir a direcção interina até 31 de Outubro. Justificaram a decisão com o "sentido de responsabilidade colectiva" e as necessidades da redacção nesta fase de transição.

(Créditos da imagem: Agência Lusa)