O director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, defendeu recentemente que faria sentido as plataformas digitais distinguirem a informação profissional dos restantes conteúdos que circulam nas redes sociais e na web. 

"Nas plataformas, uma notícia profissional aparece frequentemente lado a lado com um post completamente anónimo", disse Moniz, notando que, para o algoritmo, "é completamente indiferente ser uma coisa ou outra". Por isso, acrescentou que talvez faça sentido que as próprias plataformas identifiquem as fontes profissionais. 

O responsável falava na Conferência 40 anos de Lusa, intitulada "Democracia e Desinformação: Desafios dos Media e do Serviço Público na Era Digital", que decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. 

Moniz considerou que as plataformas não o fazem porque tal "teria como consequência ter de pagar por essas notícias". E concluiu que, se se identificar claramente o que é informação profissional, "provavelmente nós temos parte do problema resolvido". 

Certificações e marcas de água 

A proposta foi debatida no painel "Media e Big Techs: Impacto na Comunicação Social". A presidente executiva da Siemens Portugal, Sofia Tenreiro, disse acreditar que, a curto prazo, vai haver certificações e uma espécie de marca de água que permita diferenciar os conteúdos legítimos e verídicos dos restantes. 

Já Sofia Marta, da Google Cloud, afirmou que a empresa desenvolveu uma tecnologia que aplica uma marca de água aos conteúdos produzidos por inteligência artificial, o que permite saber que foram gerados por IA. Para os media, explicou, a tecnologia pretende garantir a quem utiliza os conteúdos, as imagens ou a informação que consiga perceber rapidamente se se trata de informação real ou de algo já manipulado por IA. 

(Créditos da imagem: Media Capital)