A Casa Branca inaugurou um novo site destinado a expor e desmentir aquilo que descreve como “informações falsas” divulgadas pelos órgãos de comunicação social sobre a administração de Donald Trump. A iniciativa, apresentada como um instrumento de “transparência” e “correcção do registo público”, marca uma nova escalada no confronto entre o Presidente republicano e diversos meios de comunicação críticos. 

Os primeiros visados na plataforma, classificados como “media infratores da semana”, incluem a CBS News, os jornais The Boston Globe e The Independent, bem como os jornalistas Alyssa Vega, Andrew Feinberg, Eric Garcia e Nancy Cordes. Segundo a Casa Branca, estes profissionais e redacções ter-se-ão envolvido em “distorção e omissão de contexto” ao reportarem acontecimentos relacionados com Trump. 

O lançamento do site ocorre na sequência da polémica que rebentou depois de o Presidente ter insultado uma repórter do New York Times, dizendo-lhe “cala a boca, porquinha” (“Quiet, piggy”), quando esta o questionou sobre o caso Jeffrey Epstein. A Casa Branca afirmou que comentários deste tipo demonstram a “honestidade” e a “transparência” do chefe de Estado. 

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) tem alertado repetidamente para aquilo que considera serem ataques directos à liberdade de expressão, citando, entre outros exemplos, ameaças presidenciais de revogação de licenças de estações de televisão críticas da Casa Branca. 

Com o novo site, o confronto institucional entre o Presidente e a imprensa entra numa nova fase, levantando preocupações sobre o impacto destas estratégias na relação entre poder político, escrutínio público e liberdade jornalística.